Depois de o governador Rui Costa (PT) tecer duras críticas ao modelo adotado pela prefeitura de Salvador no carnaval, o secretário municipal de Cultura e Turismo (Secult), Cláudio Tinoco (DEM), cobrou da Superintendência de Fomento ao Turismo da Bahia (Bahiatursa), que é administrada pelo governo estadual, a programação do carnaval.
“A gente está a menos de um mês para o carnaval, que abre oficialmente no dia 8 de fevereiro, e até agora a Bahiatursa não apresentou sua programação, como todo ano é assim. Não se sabe quem são os artistas, os trios que vão desfilar… O governo não precisa dizer quais são as atrações, mas precisa dizer que pretende ocupar o circuito da Ondina ou do Campo Grande, em que horário… Mas, até agora, nada. Como pode existir um planejamento assim? O governador diz que está querendo discutir a festa, mas não cumpre com a obrigação de apresentar sequer a programação”, condenou o titular da Secult, em entrevista ao bahia.ba.
Tinoco disse ainda que o Conselho Municipal do Carnaval de Salvador (Comcar) está há um ano sem representante estadual, pois, o governador ainda não indiciou. “E ainda diz que quer participar do planejamento da festa”, ironizou o secretário.
Nesta terça-feira (9), Rui Costa afirmou que o sistema de exclusividade, que permite apenas bebidas de patrocinadores sejam vendidas por ambulantes nos circuitos do carnaval, tem afetado a festa momesca soteropolitana. O modelo, que é baseado no usado pela Fifa na Copa do Mundo, está em vigor desde 2014.
“O poder público municipal adotou uma estratégia de se autofinanciar pelos patrocínios. Só que esse autofinanciamento do poder público, esvaziou o financiamento das entidades de carnaval. O [dinheiro] que ia sempre para entidades carnavalescas, hoje está indo para o poder público, com retorno de visibilidade, publicidade e de fechamento de mercado para consumo. É preciso rediscutir isso sob pena de a crise aumentar”, disse, em entrevista à imprensa, após a assinatura de ordem de serviço para modernização das instalações elétricas da Basílica do Bonfim.
Em virtude da crise, nenhuma agremiação desfilará na quinta-feira – o primeiro dia da folia – e apenas três vão para as ruas na terça, data em que as chaves da cidade são devolvidas à prefeitura de Salvador pelo Rei Momo.
O presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, refutou também a declaração do governador e ressaltou que o sistema de exclusividade na venda da cerveja permite a prefeitura contratar atrações para que o carnaval, como um todo não tenha perdas, em virtude da crise.
“O modelo que implantamos para o Carnaval e outros grandes eventos, a exemplo do Réveillon, é tão exitoso que tem sido copiado por várias cidades do país. Com a captação de recursos na iniciativa privada, diminuímos drasticamente a aplicação de recursos públicos nos eventos”, ressaltou.

