Após invasão, Éden diz que pauta do MST é ‘legítima’ e vinculada a pauta ambiental

    O presidente do PT na Bahia defendeu que cabe ao governo Lula ‘fazer a mediação’ entre os interesses do movimento e dos proprietários de terras

    Foto: João Valadares

    Em meio ao impasse entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Suzano Celulose, no extremo sul do estado, o presidente do PT da Bahia, Éden Valadares, defendeu os manifestantes e classificou a mobilização como “legítima”.

    “O ambiente do governo Bolsonaro de perseguição a indígenas, agricultores familiares e quilombolas não permitia aos movimentos sociais retomar essa agenda, que é uma agenda de protesto, não é uma agenda de retomar a terra. É uma agenda de protesto legítima e totalmente vinculada aos desafios do meio ambiente do século 21”, afirmou o dirigente partidário, destacando que no caso específico das fazendas de eucalipto no extremo sul da Bahia, a mobilização visa “chamar atenção para a crise ambiental”.

    Ao comentar o caso, Éden Valadares defendeu ainda que cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), “fazer a mediação” dos interesses entre as partes. “Tudo dentro da maior normalidade democrática”, ressaltou.

    Segundo o presidente do PT na Bahia, a ausência de uma reforma agrária no Brasil é a raiz do problema, que acaba por motivar as divergências. “Há um conflito agrário no Brasil secular com relação a ausência de uma reforma agrária histórica no Brasil – quase todos os outros países da América produziram algum tipo de reforma agrária que democratizasse acesso à sua terra mesmo os Estados Unidos e Canadá, e no Brasil não. Então, talvez seja o país de maior número de latifúndios nas Américas”, avaliou.

    Nesta quinta-feira (2), ao comentar o caso, o ministro Paulo Teixeira não criticou a invasão às fazendas, afirmou que o governo tentará “resolver pelo diálogo” e disse que entrará em contato com o MST “sugerindo a eles que possam negociar” com a empresa Suzano.