Após mais de 60 mortes no Rio, Lula convoca ministros para debater crise de segurança

    Presidente desembarcou em Brasília depois de viagem à Ásia e agendou encontro com Casa Civil, Justiça e PF para esta quarta-feira (29)

    Foto: Reprodução/PT

     

    O presidente Lula (PT) retornou ao Brasil após uma viagem à Ásia e imediatamente agendou uma reunião de emergência para a manhã desta quarta-feira (29) para discutir a grave crise de segurança pública no Rio de Janeiro, intensificada pela megaoperação policial de ontem, terça-feira (28), que resultou em mais de 60 mortes, incluindo a de agentes de segurança.

    A pauta do encontro, que acontece no Palácio da Alvorada, é definir as ações que o governo federal pode tomar para tentar garantir a segurança no estado fluminense.

    Conforme informou a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, entre os convocados estão os ministros:

    Rui Costa (Casa Civil)

    Jorge Messias (Advocacia-Geral da União)

    Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública)

    – O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.

    O objetivo principal da reunião é traçar o tipo de auxílio que o Palácio do Planalto e a PF podem oferecer ao Rio de Janeiro. Segundo informações de bastidores, o governador Cláudio Castro (PL) também deve se encontrar com membros do governo federal ainda nesta quarta para tratar do tema.

    Governo Federal alega falta de comunicação prévia

    A reunião emergencial acontece após membros do alto escalão do governo federal terem se manifestado surpresos com a dimensão e a falta de comunicação prévia sobre a operação realizada no Rio.

    O ministro Ricardo Lewandowski destacou publicamente que não foi consultado nem informado pelo governador Cláudio Castro (PL) sobre a operação policial.

    A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), que participou de um encontro convocado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na noite de terça-feira para tratar da crise, ressaltou que operações de grande porte “têm que ser integradas com participação do governo federal” para terem sucesso.

    Em meio à crise, a Casa Civil informou, por meio de nota, que o ministro Rui Costa telefonou para o governador Castro para comunicar a disponibilidade de vagas em presídios federais para receber líderes de facções criminosas.

    Ministro da Justiça critica falta de pedido de GLO

    Em coletiva à imprensa, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) reforçou que a cooperação com o Governo do Rio de Janeiro no combate ao crime organizado é plena e que nunca negou pedidos de apoio do estado.

    Apesar disso, Lewandowski reforçou a surpresa com a falta de aviso prévio para a operação de terça-feira. Além disso, o governo federal rechaçou a crítica de Cláudio Castro sobre a recusa no apoio de blindados das Forças Armadas.

    Gleisi salientou que o governador não solicitou formalmente a decretação de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o que seria necessário para a cessão de blindados do Exército, conforme previsto em lei. “Como o governo vai intervir e fazer uma GLO em uma situação que não é pedida? Não é uma coisa simples”, disse Gleisi.

    Ainda em sua declaração, o ministro Lewandowski destacou que o MJSP tem buscado fortalecer a atuação coordenada entre União e estados contra o crime organizado, citando a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, apresentada em 2024.