Após mortes no Ba-Vi, Mansur ataca MP e pede fim da torcida única

    Político criticou violência, defendeu torcidas mistas e o uso de biometria facial nos estádios

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    O candidato ao governo da Bahia Ronaldo Mansur (PSOL) criticou a adoção da política de torcida única no futebol baiano e defendeu a implementação de punições severas para conter os episódios de violência nos estádios. As declarações ocorrem após os registros de conflitos na capital baiana associados ao clássico Ba-Vi.

    Segundo o postulante, é necessário distinguir o perfil dos frequentadores dos estádios e aplicar penalidades rigorosas aos responsáveis pelos confrontos.

    “É preciso separar o joio do trigo. Todas as duas torcidas, quando elas estão em festa, elas são encantadoras. Mas é preciso separar, dentro das torcidas organizadas, aqueles que vão para torcer e aqueles que vão, além de torcer, eliminar torcedores ‘adversários'”, afirmou.

    Mansur pede fiscalização

    Mansur defendeu a ampliação da fiscalização e o enquadramento dos atos de violência nas esferas cível e desportiva.

    “Tem que ter uma vigilância rigorosa em todos os estádios. Torcedor que for pego brigando com armas, participando de violência, tem que receber punição na Justiça comum e na Justiça desportiva também, para que essas pessoas não adentrem mais às casas de espetáculo”, declarou.

    O candidato sustentou também que a impunidade perpetua os problemas. “Enquanto não houver punição real para esses torcedores que vão para esses locais e fazem esse espetáculo de tragédias, vai acontecer o mais do mesmo, sempre”.

    Torcida única amplia problemas?

    Ao avaliar o histórico do futebol local, o representante da federação PSOL-Rede contestou a eficácia das restrições de público em dias de clássico.

    “Aqui na Bahia nós éramos exemplo de civilidade. E depois que houve a divisão de torcidas únicas, piorou. Quanto mais você afasta, mais piora. O tempo que nós íamos para a Fonte Nova, onde tínhamos a Geral, onde eram os ingressos mais baratos, onde todo mundo convivia com todo mundo, onde não tínhamos divisões na Fonte Nova. Chegava um momento ali em que as torcidas se encontravam e raramente tinha confusão”, relembrou.

    O político criticou as determinações do Ministério Público da Bahia (MP-BA) e cobrou ação conjunta das forças de segurança com a tecnologia.

    “A Justiça tem que sentar com as forças policiais, a segurança de Estado, para debater uma segurança real nos estádios. Apenas a ação preguiçosa que o Ministério Público coloca de separar as torcidas, de torcidas únicas, é uma decisão preguiçosa e ineficaz. É uma decisão de quem está ali atrás de uma poltrona e que nunca foi para um estádio de futebol”, cobrou.

    Por fim, Mansur criticou a Federação Bahiana de Futebol (FBF) e afirmou que o reforço da segurança relacionada ao esporte é responsabilidade de todos os poderes envolvidos.

    “As câmeras de identificação facial têm que estar em torno dos estádios. Então a responsabilidade é tanto da CBF quanto da Federação Bahiana de Futebol, que de federação não tem nada, é apenas uma federação que arrecada dinheiro e que produz um Campeonato Baiano pobre, desigual, assim como também é responsabilidade da segurança pública no Estado”, completou.