Após Twitter reter conta de Cintra, Moraes determina que PF escute bolsonarista

    Segundo Moraes, 'Cintra utilizou as redes sociais para atacar as instituições democráticas, notadamente o Tribunal Superior Eleitoral'

    Foto: Reprodução / Globo News

    Logo após o Twitter reter a conta do economista Marcos Cintra, ex-candidato a vice-presidência da República na chapa de Soraya Thronicke (União Brasil), por divulgar informações falsas sobre o sistema eleitoral, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou neste domingo (6) que o bolsonarista seja ouvido pela Polícia Federal em até 48 horas.

    “Conforme se verifica, Marcos Cintra utiliza as redes sociais para atacar as instituições democráticas, notadamente o Tribunal Superior Eleitoral, bem como o próprio Estado democrático de Direito, o que pode configurar, em análise preliminar, crimes eleitorais”, diz a decisão de Moraes, conforme apurou o portal Metrópoles.

    O ministro ainda estipulou uma multa diária de R$ 20 mil, caso Cintra volte a publicar ataques ao sistema eleitoral, e de R$ 100 mil, caso o Twitter não bloqueie os perfis ligados ao economista.

    A conta de Cintra no Twitter foi retida porque o economista, ex-secretário da Receita Federal de Jair Bolsonaro (PL), estava endossando dúvidas sobre a apuração dos votos na eleição presidencial deste ano.

    No sábado (5), Cintra disse que as dúvidas sobre as urnas “merecem resposta”. “Verifiquei os dados do TSE e não vejo explicação para o JB [Jair Bolsonaro] ter zero votos em centenas de urnas. Ex. Roraima, e em São Paulo, como em Franca, Osasco e Guarulhos”, escreveu.

    Outros bolsonaristas, como o deputado federal eleito Nikolas Ferreira (PL) e a deputada federal Carla Zambelli (PL), temabém tiveram contas bloqueadas nos últimos dias pelo mesmo motivo.

    Neste domingo, o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do presidente Jair Bolsonaro, acusou o STF e o TSE de censura. “Estamos num momento do Brasil em que o povo, parlamentares e jornalistas têm que medir as palavras para não serem censurados. E ainda tem gente achando isso tudo normal, ou pior, achando graça”, disse o parlamentar no Twitter.