As novas regras eleitorais, ao invés de acabar a corrupção, turbinaram sua nova forma

    O xís da questão é que o modelo de financiar campanhas via Fundo Partidário saiu pela culatra

    Frase da vez

    “Quando os homens são puros, as leis são desnecessárias; quando são corruptos, as leis são inúteis”

    Thomas Jefferson, ex-presidente dos EUA

    Reprodução: Pixabay
    Reprodução: Pixabay

     

    A proibição de doações empresariais para campanha, instituída a pretexto de lavar as eleições das sujeiras apontadas pela Lava Jato, não foi a melhor das estratégias para atingir tais objetivos, muito pelo contrário, gerou outro tipo de corrupção, o mercado de lideranças, conforme gritaria generalizada de deputados estaduais de todos os lados.

    O xís da questão é que o modelo de financiar campanhas via Fundo Partidário saiu pela culatra. O dinheiro ficou fácil para deputado federal, muito pouco para estadual e nenhum para os novos candidatos. No tempero, o direito de quem tem dinheiro doar a si próprio.

    Grito de desabafo

    Disso resultou, que este ano proliferou a pleno vapor o comércio de lideranças, especialmente vereadores e chefes políticos do interior. Ou seja, o que antes se fazia com a contratação de mini-trios e afins, dando aquele clima festivo, descambou para botar dinheiro no bolso dos tais líderes, eleitos como potenciais cabos eleitorais.

    Esta semana um deputado bradou nos corredores da Assembleia a alto e bom som:

    — Esta é a eleição mais corruptas da história!

    Contam que em Santa Maria da Vitória uma liderança se vendeu três vezes, primeiro a um, depois a outro e finalmente ficou com um mais endinheirado.

    O professor Ney Muniz, de Cruz das Almas, admite:

    — Eu fui assediado.