Assessores de Bolsonaro na Câmara sacaram 72% de salários em ‘rachadinha’, diz site

    Auxiliaram receberam R$ 764 mil líquidos e retiraram um total de R$ 551 mil em dinheiro vivo

    Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

    Quatro funcionários que trabalharam para Jair Bolsonaro (sem partido) em seu gabinete na Câmara dos Deputados retiraram 72% de seus salários em dinheiro vivo, revela reportagem veiculada nesta segunda-feira (15) pelo portal UOL. Segundo a publicação, os auxiliares receberam R$ 764 mil líquidos, entre salários e benefícios, e sacaram um total de R$ 551 mil.

    O UOL informou ter identificado os saques ao verificar documentos e quebras de sigilos bancário e fiscal da investigação do “escândalo da rachadinha”. Os dados financeiros abrangem 12 anos, de 2007 a 2018, período em que esses assessores foram nomeados tanto para o gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) quanto para o de Jair. Dessa forma, é possível saber como movimentaram o contracheque da Câmara dos Deputados.

    De acordo com o UOL, as operações em dinheiro vivo realizadas pelo quarteto são um indício de que a prática ilegal de devolução de salários de assessores também ocorreu no gabinete de Jair Bolsonaro, quando ele exerceu o mandato de deputado federal.

    Procurada desde quarta-feira (10) por email, telefone e mensagens no WhatsApp, a Presidência da República não respondeu aos questionamentos.

    Esta é uma das quatro reportagens realizadas pelo UOL a partir da análise de dados de 100 quebras de sigilos bancários de suspeitos de envolvimento na “rachadinha”.

    A reportagem do portal teve acesso às quebras de sigilo em setembro de 2020, quando ainda não havia uma decisão judicial contestando a legalidade da determinação da Justiça fluminense, e veio, desde então, analisando meticulosamente as 607.552 operações bancárias distribuídas em 100 planilhas -uma para cada um dos suspeitos.

    O STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou o uso dos dados resultantes das quebras no processo contra Flávio, mas o Ministério Público Federal recorreu ao STF (Supremo Tribunal Federal). Na avaliação do UOL, há interesse público evidente na divulgação das informações que compõem estas reportagens.

    Método da rachadinha

    Conforme as apurações do UOL, O intenso volume de saques dos assessores do pai é bastante semelhante aos dos funcionários do filho. Esse padrão chama atenção porque foi identificado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) como parte do método da suposta organização criminosa que atuava dentro do gabinete de Flávio na Alerj.

    A partir dos saques, os salários eram transformados em dinheiro vivo e entregues a operadores da “rachadinha”.

    Flávio foi denunciado em novembro passado pelo MP-RJ pelo desvio de R$ 6,1 milhões da Alerj, dos quais R$ 4,23 milhões foram obtidos em dinheiro vivo. Na denúncia ao Tribunal de Justiça do Rio, os procuradores escreveram que “no período de atuação da organização criminosa na Alerj também ocorreram centenas de saques nas contas bancárias de outros ex-assessores, em valores expressivos e próximos às datas dos créditos da Alerj de forma inusual”.