Autoridades celebram Mateus Aleluia em lançamento do ‘Baía Profunda’

    Senador, secretário e presidentes de fundações ressaltam o papel do mestre de Cachoeira como "referência" e "guardião" das raízes baianas

    Fotos: João Lucas Dantas/ Bahia.ba

    O lançamento do projeto artístico-cultural Baía Profunda, idealizado pelo cantor, compositor e pesquisador Mateus Aleluia, em Salvador, reuniu importantes figuras do cenário político-cultural, no Espaço Cultural da Barroquinha, nesta sexta-feira (7).

    O evento foi marcado pela celebração unânime do artista e pela exaltação de sua obra como fundamental para a identidade cultural do estado em um contexto de superficialidade.

    O projeto, que propõe uma maratona de diálogo entre as culturas do Brasil, África e Europa, recebeu apoio e reconhecimento institucional de todas as esferas.

    As principais figuras públicas presentes compartilharam suas visões sobre o legado de Mateus Aleluia e o significado do projeto “Baía Profunda”. O senador Jaques Wagner (PT) destacou a importância histórica do artista na Bahia:

    “Eu acho que Mateus Aleluia é uma referência cultural, é uma referência de poeta, de músico, de vários movimentos culturais importantes para a Bahia e para o Brasil. É um homem que vive aqui pertinho, em Cachoeira, e que tem, eu diria que mantém a tradição de contar as nossas histórias, as nossas tradições, a nossa profundidade”, celebrou Wagner.

    O Senador ainda contextualizou a necessidade do projeto: “Eu pessoalmente acho que o lançamento do movimento do Bahia Profunda, vem a coincidir com o momento da civilizatória onde as coisas estão ficando muito rasas. […] Eu acho que provocar o mergulho e você se aprofundar, eu acho que é fundamental para a gente construir uma civilização diferente”, pontuou.

    O Secretário de Cultura do Estado da Bahia, Bruno Monteiro, enfatizou a base intelectual e ancestral do trabalho.

    “Mateus Aleluia é um mestre griô da nossa cultura, com sempre uma profunda reflexão em toda a sua obra, em toda a sua produção, com as nossas conexões ancestrais, identitárias, as nossas raízes culturais, trazendo elementos que são religiosos, uma linguagem muito diversa, uma capacidade de um diálogo interreligioso.”

    Monteiro também sublinhou o aspecto científico de Mateus Aleluia e a importância para o futuro. “Esse é o resultado de um trabalho que agrega muito estudo científico sobre a cultura… A cultura é viva, ela está sempre em mutação, ela é dinâmica, mas ela não pode nunca perder o seu enraizamento”.

    A Presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Maria Marighella, exaltou a grandeza do artista no cenário nacional.

    “O seu Mateus é uma árvore, um tronco, uma raiz, integra a nossa tradição artística e cultural, talvez esteja entre os grandes, está entre os grandes artistas brasileiros, das tradições culturais brasileiras. Das raízes, dos troncos da nossa experiência criativa”, expressou.

    Marighella ainda ressaltou o caráter de oferenda do projeto. “Esse homem nos oferece a sua baía profunda, um gesto criador, um projeto, uma iniciativa de entrega, de oferecimento […] projetando o Brasil no mundo, abraçando o mundo também nessa Bahia, ou seja, é uma Bahia que oferece, mas que também acolhe, recebe”.

    O Presidente da Fundação Gregório de Matos (FGM), parte da Prefeitura Municipal de Salvador, Fernando Guerreiro, sublinhou o papel pioneiro de Mateus Aleluia.

    “Olha, Mateus eu diria que é um ícone, um baluarte, uma figura importantíssima, que inicialmente com a formação dos Tincoãs gerou e criou uma identidade e tratou do tema da ancestralidade, quando isso ainda não era um tema que se tratava, era um tema ainda muito incipiente”, relembrou.

    Guerreiro destacou a visão de longo prazo do artista, apoiada pela FGM. “É um artista sempre ligado a projetos, a projetos ideológicos, a projetos de memória, a estudos, a discussões sobre ancestralidade, sobre a formação cultural da nossa cidade, do nosso estado, do nosso país.”

    O lançamento, que se desdobraria em um show na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, reafirma Mateus Aleluia como um dos grandes mestres vivos da cultura brasileira e o projeto “Baía Profunda” como uma iniciativa de alcance global.