Azi vê ‘momento muito grave’ de Temer: ‘Ele deve explicações ao país’

    Deputado federal diz ser favorável a eleição direta, caso haja vacância do cargo, mas pondera: “Não vejo condições práticas para que isso venha a ocorrer”

    Foto: Rodrigo Aguiar/ bahia.ba

    Embora lamente que a atual crise que afeta o presidente Michel Temer (PMDB), decorrente das delações da JBS, tenha ocorrido no momento de recuperação da economia, o deputado federal Paulo Azi (DEM) acredita que o aliado não terá facilidade para permanecer no comando da República.

    “O momento é muito grave. O presidente, obviamente, se encontra em uma situação muito delicada. Ele deve explicações ao país e, se não conseguir responder de forma convincente, a situação dele no poder vai ficar praticamente sem condição”, refletiu, em entrevista ao bahia.ba, nesta terça-feira (6), na Rua Chile, durante o evento de assinatura do contrato de financiamento de US$ 105 milhões entre o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Prefeitura de Salvador, por meio do Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur).

    Sobre a situação especificamente do seu partido, em que lideranças como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), defendem a permanência no governo, e outras, como o senador Ronaldo Caiado (GO), clamam pelo desembarque, o parlamentar baiano diz não ter “opinião formada” a respeito.

    Autodeclarado favorável à eleição direta em caso de cassação, impeachment ou renúncia, Azi não acredita que haverá tempo hábil para a consulta popular se houver vacância do cargo.

    “Em uma democracia, a melhor forma de se resolver as questões é permitir que o povo decida. Claro que, no cenário de crise e de vacância de cargo, a priori, todo mundo é a favor de eleição direta. Acontece que, primeiro, isto não está previsto na nossa Constituição. Não estando previsto, mesmo que se tome uma decisão política de alterar para se fazer uma eleição direta, isso não acontece da noite para o dia. Um processo desse, por mais rápido que seja, demora quatro meses na Câmara, e o TSE vai precisar de mais três, quatro meses para marcar a eleição. Então, eu não vejo condições práticas para que isso venha a ocorrer”, disse.