Baiano, ex-diretor da OAS é inocentado em ação que condena Lula

    Gordilho foi absolvido das acusações de lavagem de dinheiro, dissimulação da titularidade do apartamento 164-A, tríplex, e de ser beneficiário das reformas realizadas

    Responsável pela diretoria de engenharia e técnica da OAS, Paulo Roberto Valente Gordilho foi inocentado, nesta quarta-feira (12), pelo juiz Sérgio Moro. O baiano era réu na mesma ação que rendeu a condenação de nove anos e seis meses para o ex-presidente Lula (PT).

    De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o engenheiro foi um dos responsáveis pela reforma do tríplex no Guarujá, que seria de propriedade de Lula e de Marisa Letícia. O imóvel, de acordo com o magistrado, foi um pagamento de propina da empreiteira ao petista.

    Na peça que o absolve, o juiz Sérgio Moro reconhece que “Paulo Roberto Valente Gordilho admitiu que todos na OAS Empreedimentos tinham conhecimento de que o imóvel em questão estava reservado para Luiz Inácio Lula da Silva e sua esposa e que as reformas foram realizadas sob a aprovação deles”.

    No celular de Gordilho, o MPF encontrou – em março do ano passado, quando ele foi alvo da 24ª fase da Operação Lava Jato – troca de mensagens entre ele e Léo Pinheiro, também baiano e dono a OAS. Confira a decisão:

    “Paulo Gordilho: O projeto da cozinha do chefe tá pronto se marcar com a Madame pode ser a hora que quiser.
    Léo Pinheiro: Amanhã as 19hs. Vou confirmar. Seria bom tb ver se o de Guarujá está pronto.
    Paulo Gordilho: Guarujá também está pronto.
    Leo Pinheiro: Em princípio amanhã as 19hs.
    Paulo Gordilho: Léo. Está confirmado? Vamos sair de onde a que horas?
    Leo Pinheiro: O Fábio ligou desmarcando. Em princípio será as 14hs na segunda. Estou vendo. pois vou para o Uruguai.
    Paulo Gordilho: Fico no aguardo.
    Leo Pinheiro: Ok.”

    Apesar disto, Moro concluiu parecer com o argumento de ser “improvável” que “José Adelmário Pinheiro Filho [Léo Pinheiro] tenha a eles revelado toda a extensão dos fatos, especificamente que a ocultação da real titularidade do imóvel e do real beneficiário das reformas tivesse por origem crimes de corrupção em contratos da Petrobras”.

    Como resultado da apuração, o baiano foi absolvido das acusações de lavagem de dinheiro, dissimulação da titularidade do apartamento 164-A, tríplex, e de ser beneficiário das reformas realizadas, “por falta de prova suficiente do agir doloso”.