Ex-comandante da FAB rebate Flávio Bolsonaro: ‘Leviandade’

    Baptista Junior negou fazer campanha para Lula e criticou resposta dada pelo candidato na Globo

    Foto: Isac Nóbrega/PR

    O ex-comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Junior classificou como “leviandade” a declaração do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de que ele estaria pedindo votos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    A afirmação de Flávio foi feita durante a sabatina da TV Globo, na noite de sexta-feira (28). O candidato foi questionado sobre os depoimentos de Baptista Junior e do general Marco Antônio Freire Gomes, então comandantes da Aeronáutica e do Exército, respectivamente, a respeito das discussões sobre uma ruptura institucional após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.

    Em vez de responder diretamente sobre o conteúdo dos relatos dos militares, Flávio questionou a imparcialidade de Baptista Junior. “Não é grave, porque está partindo de uma pessoa como esse comandante da Aeronáutica, que hoje está pedindo voto para o Lula. Uma pessoa completamente parcial para falar sobre o presidente Bolsonaro”, afirmou.

    No dia seguinte, o ex-comandante da FAB respondeu nas redes sociais e negou fazer campanha pela reeleição de Lula. Segundo ele, a declaração de Flávio teria sido usada para evitar a pergunta apresentada pelos jornalistas.

    Baptista Junior critica resposta de Flávio

    “A leviandade de dizer que faço campanha para a reeleição do presidente Lula, apresentada para não abordar a verdadeira pergunta colocada no debate de ontem, na Globo, é antes de tudo uma ferramenta para fugir da responsabilidade de respondê-la”, escreveu.

    Baptista Junior também afirmou que analisa tanto Jair Bolsonaro quanto Lula de forma crítica e disse desconhecer de onde surgiu a afirmação de que estaria pedindo votos para o atual presidente. Na sabatina, Flávio não apresentou evidências de apoio eleitoral público do militar a Lula.

    O ex-comandante ainda ressaltou que sua atuação durante a crise institucional de 2022 não teve relação com Flávio e sugeriu que o senador conheça seu relato antes de fazer novas declarações.

    “Talvez seja prudente aguardar, ler o livro e refletir, antes de outra entrevista”, afirmou, em referência à obra “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista”, prevista para ser lançada em setembro.

    No livro, Baptista Junior relata bastidores do período posterior à eleição de 2022, incluindo reuniões no Palácio da Alvorada e no Ministério da Defesa. Segundo seu relato, nesses encontros foram discutidas medidas de exceção e propostas que poderiam impedir a posse de Lula.