Bispo rebate acusação de Flávio contra CNBB: Valei-nos, Mãe Aparecida

    Senador acusou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de disseminar fake news

    Foto: Reprodução/Agência Brasil

    O bispo da Diocese de Livramento de Nossa Senhora (BA), Dom Vicente Ferreira, se manifestou nas redes sociais nesta segunda-feira (28) em reação às declarações do senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL).

    O parlamentar havia acusado a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de auxiliar o Partido dos Trabalhadores (PT) na disseminação de informações falsas sobre um suposto plano para retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

    Ao responder às declarações, o líder religioso baiano comparou a postura do candidato à do ex-presidente Jair Bolsonaro. “O pai disse que a CNBB é a parte podre da Igreja Católica. Inclusive, vigiou bispos. Agora, o filho declara que ajudamos a divulgar fake news. Valei-nos, Mãe Aparecida! Nossa rainha e padroeira. Que ninguém roube de nós a vontade de lutar sempre pela justiça e paz. Rogai por nós”, declarou o bispo.

    Acusação e resposta

    Durante agenda de campanha em Goiânia (GO) realizada no domingo (27), Flávio Bolsonaro afirmou que a versão que o associava ao fim do título da padroeira vinha sendo veiculada pelo PT com colaboração de integrantes da entidade católica.

    “O PT, eu sei hoje, já estava havia alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com a ajuda de gente de dentro da CNBB, infelizmente essa realidade”, alegou o senador.

    Em nota oficial de esclarecimento, a CNBB negou ter produzido, autorizado ou participado da elaboração e divulgação de conteúdos falsos relacionados às eleições. A entidade reiterou que não se vincula a partidos políticos ou candidaturas e ressaltou que suas posicionamentos públicos fundamentam-se na defesa da dignidade humana, do bem comum e da liberdade de consciência.

    Origem da controvérsia

    A polêmica ganhou força no ambiente digital após a veiculação de recortes com associações entre o candidato do PL e pautas de setores religiosos. A discussão teve início durante um comentário no canal GloboNews sobre comportamento do eleitorado e voto feminino, no qual foi citada uma articulação atribuída a grupos evangélicos para a retirada do título oficial da santa. A análise, contudo, não atribuiu o projeto a Flávio Bolsonaro.

    Apesar da ausência de menção direta na transmissão original, trechos editados passaram a circular nas redes sociais alegando que o candidato apoiaria a mudança. O canal de notícias posteriormente publicou uma retratação e pediu desculpas pela forma como a informação foi apresentada na exibição original.