Bolsonaristas a favor do PL antiaborto tentaram agredir deputadas, diz Galo sobre confusão na Alba

    Deputado petista se envolveu em bate-boca com Diego Castro e Leandro de Jesus, ambos do PL, durante sessão na terça-feira (18)

    Foto: Agência Alba

    O deputado estadual Marcelino Galo (PT) se defendeu nesta quarta-feira (19) das acusações de que agrediu fisicamente o também deputado Diego Castro (PL), durante uma discussão sobre a criminalização do aborto no plenário da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), na tarde de terça (18). A sessão precisou ser suspensa.

    Ao bahia.ba, Galo disse que atuou para evitar que dois parlamentares bolsonaristas agredissem as deputadas Olivia Santana (PCdoB) e Fátima Nunes (PT). Segundo ele, o deputado Leandro de Jesus (PL) também quis atacá-las. Ambos negam.

    “Os dois vieram com dedo em riste, querendo agredir, e nós tivemos que fazer um processo de contenção. O deputado Rosemberg Pinto, cumprindo a sua obrigação enquanto líder de bancada, foi em defesa das deputadas. Imagine uma agressão a duas mulheres”, afirma o deputado petista, ao dar sua versão sobre o episódio.

    Um vídeo da sessão mostra o início da confusão, quando Castro pede à presidência a exclusão da fala de Olívia das notas taquigráficas da Casa. O pedido foi ignorado, e o tumulto se instalou após Galo afastá-lo com as mãos.

    “O que aconteceu foi que os dois deputados foram para agredir as duas deputadas. Não bastassem ser duas deputadas, e aquela arrogância deles e truculência toda, duas deputadas mulheres. A deputada Olívia Santana se manifestou na tribuna. Como a Assembleia funciona? Você vai e se inscreve. Se citou seu nome, se não citou, se deu uma opinião, você quer dar a sua, você vai para a tribuna”, acrescenta ele, referindo-se ao rito para manifestações no plenário.

    Em nota divulgada momentos depois da contenda, Castro afirmou que pretende acionar o Conselho de Ética contra o petista.

    Galo, por sua vez, diz que não teme sofrer um eventual processo por quebra de decoro. “É um direito deles recorrer, podem fazer o que quiserem. Faz parte regimentalmente da Assembleia. As imagens estão aí, O plenário estava cheio, a imprensa gravou, e todo mundo sabe o fato, sem precedentes na Assembleia Legislativa”, diz.

    “Já não bastava a violência desse projeto. As imagens estão aí. Eles dois, com dedo em riste, querendo ultrapassar a contenção que nós fizemos para agredir as duas deputadas.”

    Alvo do embate, o projeto que equipara o aborto ao crime de homicídio teve sua discussão suspensa na Câmara de Deputados.

    Diante da repercussão negativa, o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL) prevê pautar novamente a proposta no segundo semestre.