Bolsonaristas se somam à esquerda e recorrem ao STF contra privatização da Sabesp por Tarcísio

    ‘Não faz sentido sairmos do monopólio público para cair no monopólio privado’, argumentou Fabio Wajngarten

    Foto: Reprodução / Instagram

    Um grupo de bolsonaristas – incluindo economistas e advogados que integraram o governo de Jair Bolsonaro (PL) – recorrerá à Justiça para tentar barrar a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), pauta do governador do estado, o também bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos).

    Conforme Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, eles pretendem acionar o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e informá-lo sobre prejuízos causados aos consumidores caso prospere a venda da participação do governo na estatal. O magistrado já é relator de uma ação movida pelo Psol e pelo PT contra a privatização.

    “Existe uma direita preocupada com a soberania do Brasil. E a Sabesp é um ativo estratégico do país, é uma das maiores empresas do mundo na distribuição de água e também na área do saneamento básico”, argumenta o advogado Fabio Wajngarten, que comandou a Secretaria de Comunicação do governo Bolsonaro e hoje assessora o ex-presidente.

    “Não faz sentido sairmos do monopólio público para cair no monopólio privado”, pontuou, acrescentando que não se pode “deixar a população refém de grupos empresariais que mal conhecemos”.

    Para defender seu ponto, Wajngarten cita a privatização da Enel, que não conseguiu solucionar a contento o problema do apagão que durou mais de 50 horas em SP, após ventos e tempestades derrubarem árvores e danificarem a rede de transmissão.

    “Pequenos comerciantes, restaurantes, mercearias, pizzarias e padarias viram seus estoques apodrecerem em geladeiras que não funcionavam. Chefes de família que vendem no almoço para pagar a janta foram impedidos de trabalhar”, disse o ex-titular da Secom. Ainda tendo como base o caso da Enel, ele afirmou que “em teoria, a privatização é maravilhosa”, mas lembrou que bairros inteiros ficaram na escuridão, sem uma solução por parte da empresa.