Bolsonaro cai no Ibope com as próprias pernas, como um artilheiro de gol contra

    Em suma, dispensa inimigos, cai por si. Com ajuda dos aliados, óbvio

     

    Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
    Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

     

    Pergunta ao professor Edvaldo Brito (PSD), vereador em Salvador, ex-prefeito da capital baiana, ex-secretário em São Paulo, jurista: o senhor, com os seus 81 anos, já viu um governo começar com tantas turbulências como o de Bolsonaro?

    — Não. Já vi acabar.

    Pois é. Com as celeumas que o próprio Bolsonaro criou nas redes sociais, o caso Gustavo Bebianno, o vídeo pornô do carnaval e o bate-boca com o ator José de Abreu, ele dispensou inimigos. E o resultado aí está: perdeu popularidade.

    Pesquisa

    Na pesquisa do Ibope ontem divulgada, o índice de aprovação pessoal caiu de 66% em fevereiro para 51 agora, 15 pontos a menos. Na avaliação do governo o bom/ótimo desceu de 49 para 39 e o ruim/péssimo subiu de 19 para 24%.

    Ou seja, em 100 dias, tempo que governantes usam para queimar capital político com pacotes de maldades, ele queimou de graça, como se fosse um artilheiro de gol contra.

    Veja você que na visita aos EUA, Olavo de Carvalho, jornalista, ex-comunista e filósofo que emerge como guru presidencial, desancou ante os norte-americanos. Após afirmar que no governo só confia no próprio Bolsonaro, saiu com esta:

    — Se tudo continuar como está, já está mal. Não precisa mudar nada para ficar mal. É só continuar assim. Mais seis meses, acabou.

    E fechou chamando o vice, Mourão, de ‘idiota’, por ter ido a São Paulo para um encontro com o governador João Dória enquanto Bolsonaro está nos EUA.

    Em suma, dispensa inimigos, cai por si. Com ajuda dos aliados, óbvio.