Bolsonaro com Ramagem está igual a Dilma com Lula. É o começo do fim?

    “A realidade é que o presidente do Brasil está justificando seu impeachment sozinho”; análise do Financial Times

    Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

     

    Lá de Londres, o jornal inglês Financial Times, uma das mais respeitadas publicações de negócios do mundo, viu qual é o problema cá. Em editorial, escreveu que Bolsonaro está se autodestruindo: “A realidade é que o presidente do Brasil está justificando seu impeachment sozinho”.

    O jornal tributa os infortúnios presidenciais, principalmente a posição dele sobre o enfrentamento do corona, mas é óbvio que há outros ingredientes. No mais, o presidente tem se portado, de fato, como uma fábrica de problemas para ele mesmo.

    Veja você. Em menos de 15 dias, Bolsonaro demitiu o ministro da Saúde, Henrique Mandetta; foi a uma manifestação contra a democracia; e, de quebra, demitiu Sérgio Moro do Ministério da Justiça; todos atos evitáveis, se ele quisesse (ou tivesse mais o que fazer).

    Antecedente

    E Bolsonaro dá sinais de fraqueza. Ele assumiu a Presidência dizendo que não ia adotar o que chamava de “velha política”. Mas com a consagração do ‘toma lá, dá cá’, está acenando com cargos e outras benesses para os partidos do Centrão. Lógico que os radares do Planalto já captaram os sinais do clima ruim. A cereja do bolo foi a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que proibiu a nomeação de Alexandre Ramagem para a PF.

    Ora, em decisões desse tipo, na história da República, tem a do ministro Gilmar Mendes, que impediu Lula de ir para a Casa Civil na era Dilma. E isso aconteceu quando a era do PT já estava desabando.