Bolsonaro cutuca Rui de novo. É do jogo dele

    Envio da Força Nacional é mais uma afronta

    Se Bolsonaro tem prazer na desgraça de Wilson Witzel, governador do Rio eleito com ele em 2018 em nome da moralidade, e João Dória (PSDB), de São Paulo, que fechou com ele no segundo turno, imagine o nível de consideração que teria com Rui Costa? Nenhum.

    Já mandou o primeiro recado ano passado, quando passou por cima do governo para inaugurar o aeroporto de Vitória da Conquista, e agora faz uma afronta direta: autoriza o envio de Força Nacional de Segurança para Prado e Mucuri, onde há conflitos num assentamento do MST que já resultaram em oito mortes;

    Aliança geral

    — Tropas da Força Nacional são requisitadas pelos governadores em casos extremos, como greves na PM, por exemplo. Com a ressalva, repetindo: é sempre o governador quem pede.

    Ora, se aqui na Bahia a PM está no pleno exercício das funções, por que chamar a Força Nacional para intervir num assentamento, e, mais ainda, à revelia do governo?

    Claro, foi mais uma afronta ao governo de Rui Costa, que reagiu dizendo que tal iniciativa quebra o Pacto Federativo, o conjunto de leis que definem atribuições de União, estados e municípios.

    Em entrevista a Istoé, Rui foi além: defendeu em 2022 uma coligação ampla, geral e irrestrita, mesmo que o PT não ocupe a cabeça da chapa:

    — Tenho certeza que não estou sozinho. Não é com rancor e mágoa que vamos construir uma nação respeitada.