Bolsonaro diz que emendas de relator são para ‘acalmar o Parlamento’

    Ele afirmou que precisa negociar, por não ser “um ditador”, e lembrou que o Centrão tem cerca de 300 deputados

    Foto: Agência Brasil

    No domingo (10), durante participação no Podcast Irmãos Dias, o presidente Jair Bolsonaro (PL) defendeu as chamadas emendas de relator, que são direcionadas a aliados do governo no Congresso como uma maneira de “acalmar o Parlamento”.

    “Essa outra parte de emenda [de relator] ajuda a acalmar o Parlamento. O que eles querem, no final das contas, é mandar recursos para as suas cidades”, disse.

    O pagamento de emendas de relator, que envolvem um orçamento de cerca de R$ 15 bilhões, foi questionado no final de 2021 no Supremo Tribunal Federal (STF) devido à falta de transparência nos gastos. O governo é acusado de direcioná-las a aliados em troca de apoio. Como não é possível saber quem são os autores das indicações dos recursos, o mecanismo ficou conhecido como “orçamento secreto”.

    O presidente disse que vetou a criação das emendas de relator, mas lembrou que o veto foi derrubado no Congresso, e a proposta virou lei.

    “A ministra Rosa Weber deu uma liminar derrubando o RP-9, as emendas secretas segundo a imprensa. E, depois, ela viu que estava de acordo comigo, voltou atrás e o Supremo disse que é constitucional”, afirmou.

    Ele também afirmou que precisa, como presidente da República, negociar com o Parlamento, por não ser “um ditador”, e lembrou que o Centrão tem cerca de 300 deputados.

    “Para aprovar qualquer coisa, em especial emenda à Constituição, passa por eles. Agora, o nosso relacionamento não é como no passado. Alguns cargos foram dados para partidos do centro, sem dúvidas, eu não vou negar isso aí. Agora, nós temos esses filtros todos em qualquer órgão para evitar qualquer desvio, qualquer problema que por ventura venha acontecer. Então eu convivo com os partidos de centro”, afirmou.