Bolsonaro e filhos recuam e cessam ataques a Marçal

    Reações negativas do eleitorado de direita surpreenderam ex-presidente e seus aliados

    Foto: Lula Marques/Agência Brasil

    A família e os principais aliados do ex-presidente, Jair Bolsonaro (PL) cessaram no sábado (24) os ataques ao coach Pablo Marçal (PRTB), de acordo com informações do jornal Folha de S.Paulo. O ex-presidente foi além, e chegou a criticar a decisão da Justiça Eleitoral que tirou as redes do candidato a prefeito do ar.

    Pablo Marçal, o candidato do PRTB foi acusado de abuso de poder econômico pelo PSB, partido da também candidata Tabata Amaral (PSB), ao promover cortes monetizados de vídeos.

    “Independente de quem tenha a rede censurada, eu não compactuo com essa prática, porque cada vez mais vai se tornando uma rotina. Daqui a pouco estamos todo mundo aí censurado”, escreveu Bolsonaro, apoiado na sequência por seus filhos Eduardo e Carlos Bolsonaro.

    A coluna conversou com três aliados do núcleo mais próximo de Bolsonaro, e ouviu diversas explicações para o recuo aos ataques.

    Uma delas: o ex-presidente e sua família não seguiram criticando o coach no fim de semana para não parecer que apoiam o que chamam de “censura” a ele nas redes.

    Mas outras razões foram elencadas, mostrando que o bolsonarismo estaria com dificuldade de calibrar o necessário enfrentamento ao coach.

    A maior surpresa para o grupo foi a reação dos eleitores identificados como de direita.

    Os filhos de Bolsonaro e aliados próximos foram duramente criticados nas redes sociais por bolsonaristas ao atacarem Marçal.

    Ao contrário, Marçal, cresceu ao responder às críticas e ser defendido por eleitores que se identificam como de direita.

    Aliados também ponderam que Bolsonaro e seus filhos não deveriam colocar ainda mais holofotes sobre Marçal ao chamá-lo para a briga.

    Só o coach teria a lucrar com isso, ganhando palco e usufruindo do prestígio que a família e o ex-presidente conquistaram ao longo de décadas de militância, e depois de o patriarca ocupar a Presidência da República.

    “Ao entrar nessa disputa, Bolsonaro dá a ele uma relevância que Marçal ainda não tem”, diz um dos maiores aliados do ex-presidente.

    Pior ainda: caso os ataques prossigam, e ele ainda assim vá ao segundo turno das eleições municipais em São Paulo, a derrota cairia no colo da família, que teria se empenhado intensamente, mas em vão em derrotá-lo. O questionamento à liderança de Bolsonaro na direita aumentaria.

    Um terceiro aliado afirma ainda que a família Bolsonaro tomaria para si uma missão que seria do prefeito Ricardo Nunes (MDB-SP), candidato à reeleição.

    Caberia a ele, e não ao ex-presidente e seus aliados, desconstruir o coach –algo que até agora a candidata Tabata Amaral tem feito com maior eficiência, diz o mesmo interlocutor de Bolsonaro.

    A vitória de Marçal, representaria um desafio inédito para a liderança de Bolsonaro no campo da direita. Ataques precisam voltar. Resta saber de que forma eles serão feitos.