Publicado em 30/03/2021 às 10h35.

Bolsonaro ‘pediu cabeça’ de Pujol após recusa de críticas à decisão do STF sobre Lula

Comandante do Exército teria interpretado que ataque lançaria as Forças Armadas num terreno perigoso

Redação
Edson Leal Pujol, comandante do Exército (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Edson Leal Pujol, comandante do Exército (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

 

A gota d’água que fez o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pedir a cabeça do comandante do Exército, Edson Pujol, foi a recusa do general em se manifestar sobre a decisão judicial que anulou as condenações do ex-presidente Lula no início do mês, segundo a colunista Thaís Oyama, do portal UOL. “O presidente esperava um posicionamento e ele não veio”, afirmou um assessor palaciano.

Segundo a publicação, Bolsonaro cobrava de Pujol uma iniciativa semelhante à que teve o ex-comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, em 2018. Naquele ano, às vésperas do julgamento no Supremo Tribunal Federal do habeas corpus que poderia tornar Lula elegível, o general publicou um tuíte dizendo que o Exército repudiava a impunidade — no que foi interpretado como uma tentativa dos dos militares de pressionar o STF a barrar a candidatura do petista.

Pujol, embora crítico da decisão que tornou Lula ficha-limpa, tomada no dia 9 de março pelo ministro Edson Fachin, se recusou a endossar qualquer manifestação pública contra ela.  Ainda conforme a coluna, seu superior imediato, o agora ex-ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva, por sua vez, disse ao presidente que não poderia obrigar o comandante do Exército a fazer o que ele, Bolsonaro, desejava, e que uma tomada de posição do Exército naquele momento poderia lançar as Forças Armadas num terreno perigoso.

Segundo Oyama, o governo já discute os nomes que poderão substituir Pujol, cujas convicções legalistas lhe renderam no entorno de Bolsonaro o epíteto de “isentão”.

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