Bolsonaro terá que escolher entre Arthur Lira e Ernesto Araújo, dizem auxiliares

    A leitura é a de que Lira entendeu da conversa com os maiores empresários do país que não haverá apoio se governo manter perfil ideológico nas relações exteriores

    Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

    Auxiliares do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) viram no último discurso do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a sinalização de o empresariado brasileiro não continuará apoiando o governo se Ernesto Araújo (Itamaraty) e Ricardo Salles (Meio Ambiente) permanecerem como ministros.

    A leitura é a de que Lira entendeu da conversa com os maiores empresários do país na segunda-feira (22) que Bolsonaro não terá apoio nenhum nem chance de se reeleger se mantiver o perfil ideológico em alguns setores, especialmente nas relações exteriores.

    Auxiliares do presidente da República afirmam ter entendido que a mensagem de Lira foi “ou eu ou Ernesto Araújo”, segundo informações da coluna Painel, da Folha. No discurso, o presidente da Câmara falou no risco de uma “espiral de erros de avaliação”, disse que não estava “fulanizando” e que se dirigia a todos os que conduzem órgãos diretamente envolvidos no combate à pandemia.

    “O Executivo federal, os Executivos estaduais e os milhares de Executivos municipais também”, afirmou. Apesar de dizer não ser justo colocar toda a culpa em Bolsonaro, ele cobrou correção de rota e falou em tom de ultimato.

    “Estou apertando hoje um sinal amarelo para quem quiser enxergar”, disse, afirmando que o caos na saúde gerado pela crise de Covid-19 precisa ser um fator de conscientização das autoridades envolvidas no sentido de “que o momento é grave” e que “tudo tem limite”.