A vereadora Marta Rodrigues (PT) defende o governo do presidente Lula diante das queixas do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), sobre a ‘falta de incentivos’ para resolver os problemas do transporte na capital baiana.
“Bruno Reis, desde o início de sua gestão, tem tentado se desvencilhar da responsabilidade pelo colapso do transporte público em Salvador. No entanto, por uma questão de honestidade com a população, ele precisa assumir a culpa que tem nessa problemática que vem de seus antecessores e trabalhar de fato pela resolução, ao invés de fazer proselitismo politico”, declara Marta em entrevista ao bahia.ba.
A petista ainda aponta que ‘a licitação do transporte coletivo feita em 2014 – pelo então prefeito, ACM Neto (União), foi construída com base na outorga onerosa, e isso piorou ainda mais a situação que já é caótica’.
“Querer jogar a culpa no governo federal é uma tentativa de enganar a população. Durante todos esses anos, a prefeitura de Salvador deu diversos benefícios aos empresários, como isenção de impostos, e tratou o transporte como um negócio, e não como um direito, conforme previsto na Constituição Federal de 1988. Não estamos vendo nada sendo feito pela prefeitura para mudar a situação. Pelo contrário, vemos muito pouca ação e piora da situação para o passageiro: frota envelhecida, diversas alterações e cortes de linhas que prejudicaram demais as pessoas, obrigando-as a fazer integração com outros ônibus, demorando ainda mais o tempo de viagem e desgastando ainda mais fisicamente o passageiro.”
Ainda segundo Marta Rodrigues, a reclamação é geral, e ‘todo esse caos no transporte municipal poderia ter sido evitado se houvesse vontade, gestão e eficiência’.
“Nós, da oposição, sempre denunciamos esse descalabro com a população soteropolitana, expondo, inclusive, os milhões de isenção fiscal que o Executivo municipal deu às empresas sob a justificativa de que haveria melhorias que nunca aconteceram. Na LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2024, a renúncia de receitas em relação ao sistema de transportes passa de R$ 20,573 milhões (LOA 2023) para R$ 21,5 milhões.”
A vereadora diz ainda que ‘o prefeito deveria ter coragem pra assumir os grandes equívocos, inclusive a licitação de 2014’.
“É preciso ter respeito com a população de Salvador e não tentar fazê-la de boba, passando sufoco em ônibus cada vez mais velhos, cheios e sujos. A prefeitura nunca se preocupou com usuários do sistema, tanto que veta todos os projetos importantes, a exemplo do que apresentei para extinguir o prazo de validade do SalvadorCard, permitindo ao usuário utilizar o valor das passagens como achar melhor, conforme sua organização financeira. Agora que a bomba explodiu, nao quer assumir a responsabilidade.”

