Caixa 2, uma prática corriqueira agora espanta ministros do TSE

    Convenhamos, o que nos assusta é que os nossos ministros se espantem. Não sabiam, por acaso, que o jogo político era assim?

    “Um homem que rouba por mim fatalmente roubará de mim”

    Theodore Roosevelt, ex-presidente dos EUA (1858-1919)

    Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
    Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

     

    O ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disse, nesta segunda-feira (6), que ele e toda a Corte ficaram surpresos com o alto volume de caixa 2 na última campanha presidencial, o que envolve obviamente Dilma, Aécio e cia. (com o agora presidente Michel Temer incluso).

    É evidente que ele fala a partir das revelações das delações da Odebrecht.

    Convenhamos, nos espanta é que os nossos ministros se espantem. Não sabiam, por acaso, que o jogo político era assim?

    Não, ao que parece. Até porque, o caixa 1, o dinheiro legalmente doado, uma tentativa de arejar o jogo das doações (antes era ao Deus dará) saiu pela culatra com grande colaboração da mídia, ressalte-se.

    Alguns sites, como o Transparência Brasil, divulgavam (e divulgam) exaustivamente as informações das transações formais. A mídia pinçava e fazia estardalhaço com os doadores, induzindo a sociedade a ficar de olho neles na eventual contratação de obras públicas.

    Ou seja, viravam suspeitos de estarem recebendo obras para compensar o que gastaram. E não era assim que a banda tocava.

    Óbvio que os empresários preferiram o caixa 2. Ficavam protegidos no anonimato. Ou, como se dizia, onegócio é dar por fora para comer por dentro”.

    O espanto de Gilmar Mendes vem com o silêncio dos políticos. O motivo é óbvio: quase todos de todos os lados jogavam o jogo.