Cassação da chapa Dilma-Temer seria ‘um choque’, afirma Lídice

    A senadora classificou o julgamento no TSE como "surreal" e voltou a defender a aprovação da PEC para eleições diretas

    Foto: Mateus Soares/ bahia.ba

    Uma eventual cassação da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na última sexta-feira (9), teria sido um “choque”, segundo a senadora Lídice da Mata (PSB), aliada do PT e integrante da oposição ao governo federal.

    Por 4 votos a 3, a Corte decidiu pela não cassação, em posicionamento contrário ao do relator do processo no TSE, o ministro Herman Benjamin.

    “Se cassasse, era um choque. Se não cassasse, também. [Se cassasse] Eu acho que seria também [um choque], porque a presidente já foi cassada, já foi impedida, e por outra razão. Então, essa ação foi feita pelo PSDB para chatear a presidente em exercício na época”, declarou a socialista nesta segunda-feira (12), em entrevista ao bahia.ba.

    De acordo com a parlamentar, o julgamento foi uma situação “próxima da surrealidade”. “O tribunal se organiza para decidir a cassação de uma chapa cuja presidente já foi cassada. É algo singular na história jurídica do país. […] É o TSE sendo colocado em uma posição de dar resposta a uma crise política, que não necessariamente tem condição de ser resolvida pelo tribunal”, disse.

    A senadora voltou a defender a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para eleições diretas. “Não é proselitismo político. Se o Congresso não faz isso, qual é a solução? A permanência de um governo profundamente desgastado, inclusive com comprovação de corrupção envolvendo o presidente da República”, afirmou Lídice.

    Ela rebateu ainda o argumento de que um pleito por via indireta seria mais rápido. “Não demora [a eleição direta], quando há unidade no Congresso Nacional. Quando há acordo, as coisas são feitas rapidamente. Via indireta mais rápida como? Não há regulamentação do processo, que vai envolver interesses da Câmara e Senado. A Câmara quer um colégio eleitoral unicameral; o Senado, bicameral. Aí já começa a confusão”, defendeu.