Catadatores de latinha, o lado pobre da folia, pedem respeito

    Os 1.500 cadastrados pelas cooperativas Cata Bahia e Comapet terão direito a farda, comida e ao Espaço de Convivência da Defensoria Pública, em Ondina, para colocar os filhos

    Foto: Divulgação

    Os catadores de latinhas  – aquele pessoal que sai no fim da folia pegando o lixo reciclável da festança, principalmente a joia da coroa, as latinhas de cerveja e refrigerantes e quase nunca é notado  – vão ter tratamento  diferenciado, para melhor, este ano.

    Os 1.500 cadastrados pelas cooperativas Cata Bahia e Comapet terão direito a farda, comida e ao Espaço de Convivência da Defensoria Pública, em Ondina, para colocar os filhos.

    Diz a secretária do Trabalho, Emprego e Renda, Olívia Santana, que o governo investiu algo em torno de R$ 800 mil para organizar as cooperativas:

    — É um trabalho importante, que estamos aprimorando, mas infelizmente de muito pouca visibilidade.

    Pode não ter a visibilidade pretendida na imensidão da festança momesca, mas com certeza, os beneficiados agradecem, como Antonio Santos, o Bicudo, morador da Fazenda Coutos, um dos catadores:

    — Estamos virando gente. Antes, as pessoas nos confundiam com o lixo. As pessoas nos humilham. Merecemos respeito.

    A julgar pelo que diz a Limpurb, trabalho é que não falta para os catadores. Ano passado, o carnaval produziu 1.490 toneladas de lixo. 15 toneladas foram de latas de alumínio, 8,5 de garrafas pet e 3,5 de latinhas de aço.