Cezar do Carvão, o homem de Lajedinho que faz história em Iaçu

    Modesto vendedor virou sensação pela estrambólica carreira política que o colocou no olho de um furdunço

    Frase da vez

    “Se a história se repete, e o inesperado sempre acontece, quão incapaz precisa o homem ser de aprender com a experiência?”
    Bernard Shaw, dramaturgo irlandês (1856-1950)

    Foto: TRE-BA
    Foto: TRE-BA

     

    Cézar Santos Magalhães, um modesto vendedor de carvão que um dia largou sua terra, Lajedinho, para tentar a vida em Iaçu, onde virou Cezar do Carvão, virou sensação pela estrambólica carreira política que o colocou no olho de um furdunço.

    Cezar se candidatou a vereador em 2012 pelo PSC e ficou na primeira suplência. Pouco depois a vereadora Amiralva Gomes, a Mira, também do PSC, teve um AVC e morreu, ele assumiu.

    Ano passado se candidatou de novo e mais uma vez ficou na primeira suplência. Pouco antes da posse, Rosival Braga Santos, o Val Cabeção, o eleito pelo PSC, morreu em um acidente de carro, ele assumiu.

    Com a formação de ensino fundamental incompleto, Cezar foi içado à presidência da Câmara pelo prefeito Adelson Oliveira (PPS), que é médico, com a intenção de controlá-lo.

    Resultado: a Justiça mandou afastar Adelson e adivinhe quem é o sucessor?

    Acertou. É ele mesmo.

    Mas Cezar, que tomaria posse ontem, sumiu (ou sumiram com ele) por mais de 10 dias. Mas também ontem Adelson ganhou uma liminar mantendo-o no cargo.

    Nem por isso o perigo passou. Cezar, que é evangélico, diz que essa confusão toda “não é coisa de Deus”, mas virou especialista em ganhar mandato sem ganhar a eleição.

    Para temperar, grande parte da população de Iaçu não o conhece, porque ele não é da terra. Te cuida, Adelson…

    Dose dupla

    A jornalista Cleidiana Ramos, filha de Iaçu, diz que os rebuliços na terra cria um caso raro:

    – Octávio Mangabeira dizia: pense no absurdo, a Bahia tem precedentes. Lá em Iaçu sempre tem mais de um precedente.

    PCdoB, a raiz

    O caso de Iaçu decorre de irregularidades acatadas pela Justiça na convenção do PCdoB, que apoiou Adelson. A decisão contra ele anula a eleição e manda marca uma nova em 40 dias.