Cid Teixeira, o historiador, entra para a história pela porta da frente

    Explicava nossa configuração civilizatória com uma simplicidade estonteante. A começar dos primórdio, de Cabral para cá

    Foto: divulgação
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    Cid Teixeira, o nosso ícone da historiografia, agora entra para a história. E já que os recados (ou legados) da vida têm hierarquia moral. Como dizia Oscar Niemayer, oscila entre os péssimos e os muito bons. Nosso Cid, sim, pelo conteúdo e pela forma como ele chegava aos baianos, virou unanimidade entre colegas, como top.

    Cid explicava a nossa configuração civilizatória com uma simplicidade estonteante. A começar dos primórdio, de Cabral para cá.

    — Entendam logo de saída que a lógica do colonizador português era entrada e saída para o mar, já que o barco era o grande meio de transporte, um lugar mais elevado pela ventilação e melhor proteção militar com água doce perto.

    O velho

    E aí saía destrinchando cada palco dos acontecimentos que marcaram nossa trajetória, aos quais ele sempre visitava ‘para aguçar a memória’.

    Eis que lá um dia nas suas andanças pelo sertão, no palco da Guerra de Canudos, ele encontrou um velhinho de 109 anos, cego pela catarata. Trouxe-o para Salvador e ajudou na cirurgia. O cidadão voltou a enxergar, e Cid convocou a imprensa à sua casa na Pituba para mostrar:

    — Olhem aqui, 109 anos e com a memória boa. Eu conversei muito com ele antes de ele voltar a enxergar. Foi a minha salvação. Agora que ele está enxergando, só fica perguntando que horas tem na televisão show de mulher nua. Perguntei pra quê, e ele respondeu: ‘Ah, eu quero ver…’