Cláudio André canta a pedra: com o Distritão, a política se oligarquiza

    Ou seja, podem estar a caminho novas dinastias de sangue azul

    Imagem: O Globo/reprodução
    Imagem: O Globo/reprodução

     

    Cláudio André, cientista político ligado a Unilab e Universidade Católica de Salvador (UCSal), se deu o trabalho de aplicar o ‘Distritão’, projeto em discussão na Câmara dos Deputados, numa simulação com o resultados para a Câmara de Salvador ano passado e com a Assembleia em 2018.

    Na Câmara de Salvador, por exemplo, entre os 43 vereadores atuais, sete estariam fora. O DEM, de ACM Neto, que já tem sete hoje, a maior bancada, ficaria com mais quatro. Na Assembleia, dos 63 deputados estaduais, seis estariam fora.

    Isso quer dizer que os eleitos em Salvador representariam 331.654 votos. Ou seja, 27,53% dos votos válidos totais. Os outros 72,47% dos votos estariam descartados.

    — Isso gerararia uma colossal sub-representação.

    Abacaxi

    Pelo projeto que tramita na Câmara, em 2022 teríamos o Distritão, e em 2024 o Distrital misto. Em miúdos, uma parte seria eleita na base do que tem mais votos pessoais, e outra em distritos nos quais disputariam uma também uma majoritária.

    — O distrital misto proposto para a partir de 2024 gera mais um abacaxi para o eleitorado, que dará dois votos, um para candidato/a do seu distrito e outro para uma lista partidária.

    Segundo Cláudio, o modelo proposto geraria uma oligarquização da política. Ou seja, criaríamos novas dinastias de sangue azul.

    Em síntese, os deputados resolveriam o problema deles agora, e o Brasil pagaria um alto preço.

    E pode passar, viu?