Com inelegibilidade, Bolsonaro vai mirar em atuação como cabo eleitoral

    De acordo com interlocutores da legenda, Bolsonaro tem valor eleitoral independentemente do resultado do TSE

    Foto: Reprodução/Redes Sociais

    Após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarar Bolsonaro inelegível até 2030, o ex-presidente e aliados querem usar os holofotes para investir na imagem de que o ex-mandatário seria vítima de um processo injusto e investir em atuação como cabo eleitoral, segundo análise feita pela Folha de São Paulo.

    Segundo a reportagem, a atuação que Bolsonaro pretende manter é focada no seu cargo de presidente de honra do PL. Ele assumiu o posto quando retornou ao Brasil dos Estados Unidos, para onde havia viajado nos últimos dias do ano passado como forma de não cumprir o tradicional rito da passagem da faixa presidencial para o seu sucessor.

    O partido alugou uma sala comercial em Brasília para o ex-presidente trabalhar e, segundo aliados, Bolsonaro recebe no local parlamentares, prefeitos e vereadores, entre outros. Outra rotina que Bolsonaro quer manter é a de viagens. Enquanto o TSE realizava a primeira sessão do julgamento de seu caso, no dia 22, Bolsonaro participava de encontro com caminhoneiros no Rio Grande do Sul.

    No domingo (25), ele esteve em São Paulo para acompanhar jogo de futebol entre Palmeiras e Botafogo. A expectativa é que ele faça viagens semanais daqui para frente.

    Ainda de acordo com a Folham, o ex-presidente virou o principal ativo político do PL, que quer mantê-lo como cabo eleitoral. De acordo com interlocutores da legenda, Bolsonaro tem valor eleitoral independentemente do resultado do TSE. A avaliação é que ele tem forte potencial de transferência de votos a candidatos da direita.

    Nos bastidores, há uma discussão sobre eventuais nomes que poderiam ser os sucessores de Bolsonaro. São frequentemente citados os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e do Paraná, Ratinho (PSD). O nome da senadora e ex-ministra Tereza Cristina (PP-MS) também já foi mencionado.