Começa a campanha, um filme velho. A gente morre no fim

    No Brasil e alhures, deveria ser abertura de prazo para os candidatos exporem suas idéias e discutirem problemas coletivos

    Frase da vez

    “O político corrupto, com certeza, não sai com essa deficiência do ventre de sua mãe. Ele nasce a partir do momento em que o povo se ilude com seus bonitos discursos e promessas e o elege com seu voto”

    Gutemberg Landi, poeta e letrista musical carioca (1953)

    Advogado Ademir Ismerim (Foto: Reprodução Irecê Repórter).
    Advogado Ademir Ismerim (Foto: Reprodução Irecê Repórter).

     

    O advogado Ademir Ismerim, uma das maiores referências em direito eleitoral da Bahia, costuma dizer uma coisa interessante:

    – No meu escritório, só entram inocentes e eleitos.

    Lógico, fina ironia, ele sintetiza com rara felicidade o que é o jogo político no Brasil. Só para ilustrar, na Lava Jato, só há corruptos confessos entre os empresários. Entre políticos, só inocentes.

    Pulando para as campanhas eleitorais, como a que começa hoje, o jogo é o mesmo. No Brasil e alhures, deveria ser abertura de prazo para os candidatos exporem suas ideias e discutirem problemas coletivos para ampliar as chances de acerto do eleitor.

    Deveria, mas não é. Não só aqui, ressalte-se. Mas talvez pior aqui no Brasil, um país em que partidos viraram meio de vida para alguns.

    Todo candidato é santo, o adversário é o diabo (e a recíproca é verdadeira), todos apontam as supostas falcatruas dos adversários como se eles fossem donos da moralidade.

    Nada disso. Apenas quer o poder, o mando, o direito de manipular dinheiro público.

    Há jeito? Talvez daqui a algumas gerações, sim. Agora, não se vislumbra. Albino Rubim, ex-secretário de Cultura da Bahia e cientista político, diz uma coisa interessante:

    – A humanidade, com direito a utopias, ainda não inventou uma fórmula melhor de escolher seus governantes que não seja pelo voto.

    Se assim o é, vamos ao tiroteio da campanha. Sabendo que o filme é velho, de final sabido: a gente morre no fim.