Comenda para Cacique Babau traz polêmica do sul da Bahia para a Alba

    O deputado Targino Machado (DEM) protocolou requerimento pedindo o cancelamento da homenagem porque o dito cujo ‘já foi preso’

    Frase da vez

    “Nem tudo são flores nos meses de primavera. Voam marimbondos…”

    Leila Míccolis, poetisa carioca (1947)

    Foto: cimi.org
    Foto: cimi.org

     

    Rosivaldo Ferreira da Silva, ou Cacique Babau, como é conhecido, líder tupinambá de Olivença, em Ilhéus, figura odiada por fazendeiros de Buerarema, Una e Canavieiras graças a sucessivos conflitos por terras que já resultaram em muitas mortes, virou polêmica na Assembleia anteontem.

    Cacique Babau vai receber amanhã a Comenda 2 de Julho. Anteontem, o deputado Targino Machado (DEM) protocolou requerimento pedindo o cancelamento da homenagem porque o dito cujo ‘já foi preso’. Apresentou documentos das prefeituras de Una e Buerarema justificando a queixa.

    Sem critérios

    O autor da homenagem foi o deputado Marcelino Galo, que é da esquerda do PT e diz ter consciência do que fez.

    —Eu proporia de novo do mesmo jeito.

    O deputado Robinho (PP), que é do extremo sul, e também da base de Rui, não gostou. Chamou Babau de ‘invasor de terras’ e ‘ladrão’.

    A homenagem foi aprovada em 23 de outubro num pacote que inclui 65 outros homenageados (entre eles, o publicitário Nizan Guanaes, a cantora Bela Gil, bispos, militares num mutirão para votar projetos de deputados.

    Diz o deputado Rosemberg Pinto (PT) que o xis da questão é que as homenagens se banalizaram, não há critérios sérios rígidos:

    — Imagine que tem homenageado que nem aparece.

    Mas Babau vai.