Como a Odebrecht é baiana, a lista de Janot tem muito mais baianos. Cadê?

    A construtora costumava distribuir simpatias (leia-se doações) a políticos em geral com valores variáveis a depender do status do beneficiário, inclusos modestos vereadores

    Frase da vez

    “Quando puxo uma pena, vem uma galinha inteira”

     Deltan Dallagnol, procurador da República que atua na Lava Jato.

    Foto: Divulgação/Odebrecht
    Foto: Divulgação/Odebrecht

     

     A senadora Lídice da Mata (PSB) e o deputado José Carlos Aleluia (DEM), o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB) e Geddel são os primeiros baianos a surgirem nas delações da Odebrecht. Ambos repetem a explicação padrão: nada fizeram de errado. Na Lava Jato, a rigor, os noviços são Lúcio e Aleluia. Lídice e Geddel foram citados.

    Do que exatamente são acusados, não se sabe. Mas convém lembrar que a Odebrecht, maior construtora do país, é baiana. E, como tal, costumava distribuir simpatias (leia-se doações) a políticos em geral com valores variáveis a depender do status do beneficiário, inclusos modestos vereadores. Noutras palavras, há muito mais baianos na lista.

    A questão é saber por que eles estão lá. Partindo do princípio de que novidade é notícia, só o fato de ser citado, no senso comum já é uma pena, a execração. Disso os políticos se queixam. Como surgiram os quatro nomes, a partir de vazamentos, acaba aliviando a barra de outros.

    Mas como o jogo era o mesmo para todos e ninguém sabe o que vai sair das delações, os dois lados, os de Rui Costa e ACM Neto, fizeram publicamente uma espécie de pacto de silêncio.

    Fosse o jogo do bem contra o mal, e uma das duas bandas estaria disparando tiroteio cerrado contra a outra. Mas, nos bastidores, o pessoal de Neto nutre a esperança de pegar Jaques Wagner e Rui Costa com a OAS e o de Rui de pegar Neto na Odebrecht.

    Neto cobra a divulgação imediata de todos os listados. E tem razão. É um passo no rumo de colocar luzes na escuridão, embora os citados, culpados ou inocentes, ainda tenham a enfrentar a azucrinação midiática –  seja por vazamentos ou mediante divulgação oficial.