Como sempre, a oposição leva vantagem nos grandes municípios

    O ano de 2016 sinaliza o DEM de ACM Neto bem em Salvador, com o próprio, e em Feira, com Zé Ronaldo

    Frase da vez

    “E aí… vai ser uma decisão unânime ou tem voto vencido?”

    Sérgio Muller, jurista gaúcho, famoso pelo liberalismo (1940-2011)

    Prefeito ACM Neto sai na frente nas pesquisas eleitorais em Salvador (Foto: Max Haack/Ag. Haack).
    Prefeito ACM Neto sai na frente nas pesquisas eleitorais em Salvador (Foto: Max Haack/Ag. Haack).

     

    Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista, os três maiores municípios baianos e também os únicos que têm dois turnos nas eleições municipais, ostentam algo de emblemático na política baiana: a vocação oposicionista.

    Na época da ditadura, os três estavam aí a desafiar o regime. Como Salvador era área de segurança e tinha o prefeito nomeado, Feira e Conquista formavam o quartel general oposicionista. Mas quando a capital foi liberada, elegeu Mário Kertész, sob as bênçãos da oposição.

    Na era petista, que surfou nos três dos seus tempos de oposição, o estigma permaneceu. O PT nunca governou Salvador e Feira, mas manda em Conquista há 20 anos.

    Detalhe: nas disputas para a presidência e o governo, o PT sempre ganhou em Salvador e Feira, embora perdesse os embates municipais. Em Conquista, foi o inverso: tinha a prefeitura, mas perdeu presidência e governo.

    O ano de 2016 sinaliza o DEM de ACM Neto bem em Salvador, com o próprio, e em Feira, com Zé Ronaldo. O PT, pelo contrário, tem boas chances em Conquista, com o deputado Zé Raimundo.

    Seria sinal de que em 2018 a oposição a Rui Costa vislumbraria a vitória? A senadora Lídice da Mata (PSB) acha que não é bem assim:

    — Na Bahia, a mudança sempre chega com atraso.

    Pouco de novo

    A terceira rodada da pesquisa Ibope/TV Bahia, ontem divulgada, está melhor para ACM Neto do que o próprio esperava.

    Ele até calculou cair um pouco. Não caiu. E Alice Portugal (PCdoB), a principal adversária, subiu dois pontinhos, ainda longe dos 30% tradicionais que a esquerda sempre teve em Salvador e com 57 pontos atrás de Neto, mas com tendência de subir um pouco.

    Mesmo que os governistas não tenham confiança no Ibope, como dizem, a diferença é muito disparatada. Isso, a 11 dias da eleição, indica que a possibilidade de mudanças substanciais é pequena.

    Ou seja, a rigor, não há disputa.

    Em Lauro de Freitas

    ACM Neto parece ter tomado gosto pela disputa em Lauro de Freitas, onde a deputada Moema Gramacho (PT) é tida como favorita absoluta.

    Vai lá quinta dar uma mão a Mateus Reis (PSDB), embalado por pesquisas internas que mostram ele reagindo bem.

    Em Feira

    O deputado Zé Neto (PT), candidato em Feira, diz que não está dividindo a agenda com outros municípios, como dissemos, papel que os seus auxiliares no mandato cumprem, mas ressalva que a campanha para ele começou de fato na semana passada, quando levou Jaques Wagner lá e fez uma carreata pelo centro da cidade.

    Ele também duvida do Ibope, que deu 70% para o prefeito Zé Ronaldo, contra 14% dele:

    — Algumas contas não fecham. Nas minhas, o segundo turno é possível.

    Lá e cá

    Filiado ao PSB, tido e havido como da base do governo, o deputado federal Bebeto Galvão, candidato a prefeito de Ilhéus, definitivamente botou um pé fora.

    ACM Neto gravou um vídeo de um minuto no qual diz que, após analisar o cenário ilheense, constatou que o melhor é Bebeto.

    Diz-se até que Neto vai lá.

    Otto e o Velho Chico

    Convidado pela Globo para ir a São Paulo explicar o seu projeto de Revitalização do São Francisco e os principais problemas do Velho Chico, antes da novela começar, o senador Otto Alencar (PSD) diz que a novela foi positiva na medida em que mostrou um pouco dos estragos que a erosão causa no rio.

    — Mas o que mais nos comoveu foi a morte trágica do ator Domingos Montagner. Espero que ele encontre uma tribo de anjos para salvá-lo na esfera dos céus.

    Curto e complicado

    A campanha do dinheiro curto ganhou um problema adicional no campo financeiro: a greve dos bancos. Os que prestam serviços aos candidatos recebem com cheques eleitorais (pelo caixa um, óbvio), já que os bancos abriram as contas, mas não deram cartão.

    Resultado: quem recebe, não leva.

    A disputa da Funasa

    O deputado Cláudio Cajado ganhou a queda de braço que vinha travando com o colega do DEM, José Carlos Aleluia, sobre a indicação para o comando da Funasa na Bahia.

    Cajado queria a mulher dele, Andrea Xavier, e Aleluia, o ex-deputado Heraldo Rocha.

    Mesmo antes do impeachment, as direções de todo o Brasil foram nomeadas, menos a da Bahia. Andrea tomou posse ontem.

    Heraldo no DNOCS?

    Para Heraldo Rocha tinha sido oferecido o comando baiano do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS). Mas ontem o próprio Heraldo dizia não ter informações:

    — Não estou sabendo de nada.

    Firme na luta

    Marcos Pinto (PDT), candidato a prefeito de Teolândia, no baixo sul, que noticiamos aqui como desistente, afirma que continua no páreo firme e forte.

    Ele enfrenta o prefeito Lázaro Oliveira (PMDB), que é bem avaliado, e diz que vai ganhar.

    Quase na ponta

    Aliás, conforme a última contabilização do TSE, a Bahia tem já oficializados 1.246 candidatos a prefeitos (todos dizendo que vão ganhar), além de 34.265 candidatos a vereador.

    O número é dos maiores do país. Só perde para Minas (2.447), São Paulo (2.209) e Rio Grande do Sul (1257).

    Homenagem a Milton

    O professor Milton Guimarães Bezerra Filho, presidente do Centro de Estudos Culturais Linguísticos Surdos e fundador do Centro de Surdos da Bahia, vai receber amanhã (9h) a Medalha Thomé de Souza da Câmara de Salvador, marcando a passagem do Dia Nacional da Luta da Pessoa Com Deficiência e Dia Municipal do Orgulho das Pessoas Com Deficiência.

    A iniciativa é do vereador Leo Prates (DEM).