Conquista, uma disputa municipal com tempero federal e foco estadual

    Herzém Gusmão (PMDB) e José Raimundo (PT) disputam o segundo turno; começou light, mas acabou em pauleira total

    Frase da vez

    “O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas”

    José Saramago, escritor português, Nobel de literatura em 1998 (1922-2010)

     

    Herzém Gusmão (PMDB) e José Raimundo (PT) (Foto: Divulgação|Mateus Pereira/Secom - Montagem: bahia.ba).
    Herzém Gusmão (PMDB) e José Raimundo (PT) (Foto: Divulgação | Mateus Pereira/Secom | Montagem: bahia.ba).

     

    A campanha no rádio e na tevê, em Vitória da Conquista, onde Herzem Gusmão (PMDB) e José Raimundo (PT) disputam o segundo turno, começou light, mas acabou em pauleira total.

    Herzem bradando que “o PT afundou o Brasil e o Brasil já disse não, agora Conquista vai dizer não também”.

    E o outro programa dizendo que Herzem é do PMDB de Temer, “do governo que vai cair com o que Eduardo Cunha vai falar”. Em síntese, foi uma campanha municipal com fortes ingredientes nacionais e foco estadual.

    Os opositores do PT na Bahia, liderados por ACM Neto, mantiveram com larga folga o controle de Salvador e Feira de Santana, as duas maiores cidades, pegaram Camaçari, a mais rica, e vislumbram agora a joia da coroa.

    Vitória da Conquista faz história este ano. O PT manda lá desde 1996, muito antes de Lula tomar o poder federal. Para os petistas, manter seria um alento poderoso num momento em que tudo é contra. Para a oposição, tomá-la é, em tese, dar uma boa pavimentada no caminho para o objetivo maior, o governo do estado em 2018. Seria o sinal cabal de que a era petista na Bahia já estaria dando os seus últimos suspiros.

    Os petistas sabem que a tarefa é difícil. Zé Raimundo falava ontem ter a sensação de que deu ‘a virada’. E Herzem, que vai ganhar com mais de 29 mil votos de vantagem.

    As urnas vão falar domingo. Mas tudo indica que a maré antipetista chegou forte lá.

    Placar da Painel

    Pesquisa da Painel Brasil, ontem divulgada, deu Herzem com 64,75% dos votos válidos contra 35,25% de Zé Raimundo.

    Mudar um cenário desses está mais para milagre do que para virada.

    Exemplo em Paramirim

    Gilberto Britto (PSB), ex-deputado e agora prefeito eleito de Paramirim, reuniu os comerciantes e empresários do município e fez um compromisso aberto: toda a licitação que a Prefeitura for fazer na gestão dele, terá a participação do Ministério Público na elaboração do edital e na abertura das propostas.

    De quebra, quinzenalmente vai botar um painel na principal praça da cidade informando quanto entrou de dinheiro nos cofres municipal, e quanto e em que gastou.

    Está aí um caminho para quem quer entrar e sair do governo sem máculas.

    Esmola demais

    Elmo Vaz (PSB), prefeito eleito de Irecê, ironizou o fato do prefeito Luizinho Sobral (PTN) estar comprando máquinas para deixar-lhe de herança bendita:

    — Quando a esmola é grande, o santo desconfia.

    Paisagismo em debate

    Queixosos dos empresários que os deixam de lado para contratar figuras de grife nacional, os paisagistas baianos decidiram ir à luta para virar o jogo. Neste sábado, Raul Cânovas, paisagista argentino consagrado internacionalmente, vai ser a estrela de encontro no Crea, arregimentado por Stênio Barbosa, presidente da Aspaba (Associação de Paisagismo da Bahia).

    Cânovas é ecopaisagista, arauto da jardinagem autossustentável, aquela que usa as folhas do ambiente como adubo e direciona o uso da água direto para a raiz.

    Jardinagem

    Stênio Barbosa diz que uma das ideias da Aspaba é criar o Museu do Paisagismo, num ambiente público, para ensinar crianças carentes:

    — Por incrível que pareça, temos carência de jardineiros na Bahia. A ideia é tirar as crianças das ruas e ensiná-las uma profissão que também é uma prática saudável.

    Ba-Vi imaterial

    A Assembleia aprovou esta semana dois projetos: um, de Bobô (PCdoB), transforma o Bahia em patrimônio imaterial da Bahia e, outro, de Bira Coroa (PT), dá tratamento idêntico ao Vitória.

    O assunto ganhou bom espaço em grupos de zap dos que acompanham o trabalho do Legislativo baiano. Dizem que o Fazendão do Bahia e do Barradão do Vitória, nada têm de imaterial. Muito menos a dinheirama que corre nos dois.

    Vaquejada em debate

    A Comissão de Meio Ambiente da OAB-BA vai entrar na polêmica das vaquejadas. Segunda (14h) promove audiência pública para discutir a posição do STF que proibiu tais eventos.

    O encontro, presidido pelo presidente da Casa, Luiz Viana Queiroz, terá especialistas de todos os segmentos envolvidos na questão.