Jean Wyllys diz que cuspe em Bolsonaro foi reação a insultos

    Mesa Diretora da Câmara sugere a suspensão do exercício do mandato do socialista por até seis meses

    (Foto: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados)

    O deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) apresentou, na tarde desta terça-feira (6), a sua defesa no Conselho de Ética no processo em que é acusado de quebra do decoro parlamentar por ter cuspido em Jair Bolsonaro (PSC-RJ). O ato aconteceu, no Plenário da Câmara, em abril, durante a votação da admissibilidade do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

    Na representação, a Mesa Diretora da Câmara sugere a suspensão do exercício do mandato de Wyllys por até seis meses. Em sua defesa, o socialista fez questão de relembrar aos integrantes do colegiado parte de sua história de vida e o contexto em que ocorreu o episódio. Ele afirmou que, desde o seu primeiro mandato, é difamado de maneira orquestrada. Também citou agressões verbais vindas diretamente de Bolsonaro. “São seis anos de violência homofóbica contra mim e nunca o tratei com violência”, relatou.

    Tensão política – Quanto ao contexto do episódio do cuspe, Wyllys ressaltou o tenso clima político no Plenário da Câmara durante a votação da admissibilidade do impeachment de Dilma. Disse que manifestou seu voto logo após o polêmico pronunciamento de Bolsonaro em defesa do “torturador” Carlos Alberto Brilhante Ustra.

    “Quando fui votar, ouvi vaias e pessoas dizendo: ‘viado’ e ‘sai daí, viado’”. Depois de votar, Wyllys garante ter ouvido as seguintes palavras de Bolsonaro: “queima rosca” e “tchau, querida”. “Tolerei insultos por seis anos, mas, naquela hora, cuspi na cara daquele fascista porque foi [um sentimento] mais forte do que eu. A minha cuspida foi uma reação e não uma ação”, declarou Jean Wyllys.

    O depoente acrescentou que sempre procurou manter a ética no seu mandato parlamentar, mas, apesar disso, já respondeu a dois processos no Conselho de Ética. Lembrou que já foi chamado até de “escória do mundo”. Encerrada a fase de depoimentos, o relator do processo contra Wyllys, deputado Ricardo Izar (PP-SP), acredita que deverá concluir o seu parecer antes do prazo de dez dias úteis.

    Ele informou ainda que vai analisar novos vídeos que a defesa de Wyllys anexou ao processo nos últimos dias.