Coronavírus, a maldição que tirou Riachão e Moraes Moreira da folia

    Riachão e Moraes Moreira, dois ícones da alegria que passaram a vida toda rodeados de gente, foram sepultados com bem menos gente que o normal

    Quando Raul Seixas soltou “O dia que a terra parou”, a música que virou filme relatando um dia em que ninguém fez nada, coisa de 50 anos atrás, óbvio, exerceu a criatividade artística para contar uma história surreal.

    Surreal? Se o nosso Raul visse os dias do corona, veria que não divagou tanto. Mas se na música nem bandido foi assaltar, na pandemia a criminalidade caiu. E a maior parte das atividades corriqueiras parou.

    Vá lá que o corona não só parou, subverteu a ordem. Tudo que acumulamos como cultura corrente ele veio para chutar. E consagra assim a ironia máxima do nosso tempo: Riachão e Moraes Moreira, dois ícones da alegria que passaram a vida toda rodeados de gente, foram sepultados com bem menos gente que o normal.

    Chame gente

    — Aliás, um amigo de Moraes disse que se ele resolvesse se levantar do túmulo para se vingar do corona cantando ‘Chame gente’, aquela que diz ‘por isso chame, chame, chame, chame gente’, se daria mal. ‘Iam dizer que ele virou bolsominion’.

    Mas que o nosso Moraes descanse em paz. A subversão dos valores nestes dias é geral. Veja você. Política se faz com tapinhas nas costas, beijos e abraços, mais ainda em ano eleitoral. Não pode, está todo mundo em casa. Turistas no litoral e romeiros no sertão que sempre foram a razão do viver de muitos, viraram maldição. A TV, que vive de imagem, entrevista mascarados com repórteres idem. E lá do alto teve até ministro que caiu porque fazia a coisa certa.