Coronel rechaça proposta que acaba com aumento real de salário mínimo

    Titular da CMO (Comissão Mista de Orçamento), senador diz ser "muito "difícil" matéria ser aprovada; medida é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro

    Foto: Roque de Sá/Agência Senado

    Titular da CMO (Comissão Mista de Orçamento), o senador Angelo Coronel (PSD-BA), disse acreditar ser “muito difícil” a aprovação da proposta do presidente Jair Bolsonaro (PSL) para que o salário mínimo seja corrigido apenas pela inflação em 2020.

    “Tudo o que for contra o povo terá influência negativa [na reforma da Previdência. Essa indexação do salário mínimo prejudica diretamente o BPC [benefício de prestação continuada] e os integrantes da aposentadoria rural”, afirmou Coronel, segundo a Folha.

    “Se o mínimo reduz seu poder de compra, quem recebe BPC vai ter um menor poder de compra, os aposentados também terão menor poder de compra”, declarou ao jornal o ex-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia.

    Na prática, a medida defendida por Bolsonaro interrompe uma política pública que permitiu 25 anos de ganhos reais aos trabalhadores.

    O ganho real do salário mínimo foi implementado informalmente em 1994, por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), logo após a adoção do Plano Real. As gestões petistas oficializaram a medida.

    O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estabeleceu a fórmula de reajuste pela inflação medida pelo INPC mais a variação do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes. Dilma Rousseff (PT) transformou a regra em lei.

    Michel Temer (MDB), que governou durante a recessão, não mudou a legislação.​