Corregedoria do Ministério Público investigará palestras de Dallagnol

    Conversas apontam que procurador elaborou um plano de negócios para lucrar com a fama obtida durante as investigações da Lava Jato

    Foto: José Cruz/Agência Brasil

    Palestras do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, serão investigadas pela Corregedoria Nacional do Ministério Público, que acatou representação do PT, informa a colunista Mônica Bergamo, da Folha.

    Em despacho, o corregedor Orlando Rochadel Moreira menciona mensagens trocadas entre procuradores que “revelariam que os citados teriam se articulado para obter lucro mediante a realização de palestras pagas e obtidas com o uso de seus cargos públicos”.

    “Tais palestras teriam se dado em parceria com empresas privadas, com quem dividiram os valores”, afirma trecho do documento.

    Dallagnol e seu colega Roberson Pozzobon terão dez dias para se manifestar sobre o assunto.

    Reveladas pelo site The Intercept Brasil, as conversas apontam que o coordenador da força-tarefa elaborou um plano de negócios de eventos e palestras para lucrar com a fama e contatos obtidos durante as investigações.

    Em dezembro do ano passado, Dallagnol manifestou, com diálogo com a esposa, a ideia de criar uma empresa de eventos para aproveitar a repercussão da Lava Jato.

    No mesmo mês, criou com Pozzobon um grupo de mensagens específico para debater o tema, com a participação das mulheres dos dois.

    “A ampla repercussão nacional demanda atuação da Corregedoria Nacional”, defende o corregedor, em seu despacho.

    “Sem adiantar qualquer juízo de mérito, observa-se que o contexto indicado assevera eventual desvio na conduta de membros do Ministério Público Federal, o que, em tese, pode caracterizar falta funcional, notadamente violação aos deveres funcionais insculpidos no art. 236 da Lei Complementar nº 75/93”, acrescenta.