CPMI do 8/1: Eliziane pede convocação e quebra de sigilo de Garnier após delação de Cid

    “Diante do fato de hoje, o almirante passa a ser uma pessoa absolutamente fundamental. A volta do Mauro Cid", disse a senadora

    Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

    A relatora da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos atos golpistas de 8 de Janeiro, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), apresentará requerimentos de convocação e quebra do sigilo telemático do almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, por suspeitar de que ele tenha apoiado uma tentativa de golpe elaborada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), conforme revelou o ex-ajudante da Presidência Mauro Cid à Polícia Federal (PF).

    “Diante do fato de hoje, o almirante passa a ser uma pessoa absolutamente fundamental. A volta do Mauro Cid. Eu elencaria essas duas figuras como muito centrais para a reta final dos trabalhos da CPMI”, disse Eliziane nesta quinta-feira (21), de acordo com publicação do jornal o Estado de São Paulo.

    Cid disse ainda à PF no âmbito da delação premiada que Bolsonaro se reuniu com a cúpula das Forças Armadas no fim do ano passado para discutir a chance de uma intervenção militar para eliminar o resultado da eleição de 2022, que resultou na eleição do presidente Lula.

    Eliziane afirmou que os fatos delatados por Cid podem apresentar provas mediante a autoria intelectual dos atos golpistas. A base governista na CPMI defende que Bolsonaro foi o responsável por idealizar a invasão golpista aos prédios dos Três Poderes.

    “Se houve uma motivação, um chamamento para reunião, uma apresentação de GLO, se houve ali uma iniciativa de se questionar o processo eleitoral e estabelecer uma intervenção não há dúvida nenhuma que é uma ação inconstitucional e deverá ser sim levada em consideração pela CPMI”, afirmou a relatora.

    Com mais uma denúncia que fecha o cerco das autoridades sobre Bolsonaro, a base do governo Lula se articula para votar na próxima terça-feira (26) o envio de relatórios de inteligência financeira (RIFs) do ex-presidente e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

    Os governistas tentam aprovar esse requerimento desde o início da CPMI, mas o pedido sempre foi embarreirado pelo presidente Arthur Maia (União Brasil-BA). O parlamentar está disposto a pautar temas de interesse do governo, desde que a oposição também tenha as suas demandas atendidas.