Frase da vez
“Os homens da corrupção são espirituais e caluniadores. Sabem que há outras formas de matar que não seja pelo punhal e pela emboscada”
Nietzsche, filósofo e poeta alemão (1844-1900)

Ao anunciar sua renúncia à presidência da Câmara ontem, Eduardo Cunha chorou e jurou que é inocente, dizendo-se vítima de perseguição por causa do impeachment.
Claro que ninguém acredita na inocência dele. Como ele jura e bate pé firme, em rede nacional de tevê, cabe perguntar: com tal postura, Cunha está prestando um serviço ou desserviço ao povo brasileiro?
Se é serviço, é para o povo entender quanto a classe política mente escancaradamente (leia-se descaradamente).
Se é desserviço, ele contribui para avacalhar ainda mais a credibilidade da representação política brasileira.
Decida você.
Erro de cálculo
Claro que Cunha, egocêntrico como é, não tem noção de visão conjuntural. Arrebentado, queimando os últimos cartuchos para tentar evitar a inevitável estadia nos porões de Curitiba, quer passar para o povo a imagem de herói, o salvador da pátria que deletou o PT do poder.
Aí está o erro de cálculo dele, não pelo epílogo da história das intrigas do poder, mas o pessoal, cometido lá atrás.
Se ele decidisse ficar quietinho no seu cantinho, surrupiando os seus milhões nas caladas, certamente até hoje estaria no Congresso Nacional como representante do povo brasileiro, como tantos estão, protegidos sob o manto da imunidade (leia-se impunidade).
Quis ser protagonista e foi. Chamou os holofotes para si e os teve. E aí se estrepou.
Placar baiano
Se depender da bancada baiana, Cunha está ferrado na votação da cassação. Diz-se em Brasília que dos 39 deputados federais, o placar dá 32 contra ele, três a favor e quatro duvidosos.
Isso, com a votação aberta.
Chorão?
O tempo todo Cunha mostrou-se frio e calculista. Ganhou até o reconhecimento do povo brasileiro por isso, uma inteligência competentemente usada a serviço do mal.
Agora em desgraça, chora. O choro cola?

Queixa arquivada
A segunda turma da 1ª Câmara Criminal do TJ arquivou ontem a queixa-crime movida pelos deputados federais petistas Jorge Solla, Afonso Florence, Luiz Caetano, Moema Gramacho, Valmir Assunção e Waldenor Pereira, mais Vânia Galvão, contra ACM Neto.
A queixa foi por Neto ter dito, sobre a Lava Jato: “Agora já sei por que o PT ganhou a eleição”.
Acordo zero
E já que o assunto é briga política na justiça, Neto também moveu um processo contra o vereador José Trindade (PSL), por calúnia e difamação.
Trindade disse que Neto era contra o Uber porque no modelo alternativo de transporte “não tinha como comer”.
Ontem teve a primeira audiência, a de conciliação. Neto não quis acordo.
Testemunhas desprezadas
Dezesseis entidades ligadas aos direitos humanos distribuíram nota ontem batendo na Secretaria de Justiça do estado pelo descaso com o Provita, o programa de proteção a testemunhas ameaçadas de morte.
O programa é administrado pela Associação de Advogados Trabalhistas Rurais (AATR) com recursos repassados pelo Ministério da Justiça via estado. Mas falta dinheiro para comida, aluguéis e até para telefone.
A AATR quer tirar o time.
Negativa fatal
Simone Passos Silva, esposa do médico Roque Osório, pediu ao INSS, em 22 de novembro de 2015, auxílio-doença porque estava com neoplasia na mama.
O INSS respondeu que não reconhecia porque o tempo de contribuição foi posterior ao início da doença, embora já tivesse concedido o mesmo benefício em junho de 2014, por outros motivos.
Nesse vai e vem, ela morreu. É assim que querem acabar o déficit da Previdência?

Água pouca
Faltou água na Secretaria de Saúde do estado ontem. Foi um horror. Os que intencionavam ir aos sanitários acabavam indecisos, entre correr e arriscar.
Gondim no páreo
O Coronel Hélio Gondim vai mesmo disputar a Prefeitura de Senhor do Bonfim. Ontem, o PV anunciou oficialmente o lançamento da candidatura dele.
Correção
Carlos Andrade Filho, o Cacá dos Colchões, vice de Jabes Ribeiro, prefeito de Ilhéus, não é mais do PMDB, como ontem dissemos. Ele se filiou ao PP.

