O governador Jerônimo Rodrigues (PT) derrotará novamente o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) e será reeleito para comandar a Bahia por mais quatro anos, segundo projeção do Datafolha.
Com 33,38% das urnas apuradas, Jerônimo tinha 52,77% dos votos válidos, enquanto ACM Neto somava 46,60%. A projeção indica que o governador não poderia mais ser ultrapassado pelo adversário.
Para projetar a vitória, o Datafolha acompanha os dados de apuração divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e utiliza um sistema próprio que considera a distribuição dos eleitores por mesorregião e características dos municípios. Quando há uma quantidade suficiente de votos apurados nesses agrupamentos, o instituto calcula que um candidato não pode mais ser alcançado.
A vitória repete o resultado de 2022, quando Jerônimo também derrotou ACM Neto na disputa pelo governo baiano.
Trajetória de Jerônimo Rodrigues
Aos 61 anos, Jerônimo é agrônomo e professor e construiu sua carreira política dentro dos governos petistas. Antes de chegar ao Palácio de Ondina, ocupou as secretarias estaduais de Desenvolvimento Agrário e de Educação durante a gestão de Rui Costa (PT).
Eleito governador pela primeira vez em 2022, Jerônimo teve a segurança pública como um dos principais desafios da administração. O período foi marcado pelo avanço da atuação de facções criminosas em diferentes regiões do estado.
A Bahia registrou redução nos indicadores de mortes violentas durante sua gestão, mas permaneceu como o estado com o maior número absoluto de assassinatos do país.
Na saúde, o governo ampliou a rede estadual com a entrega de novos hospitais. A administração, porém, enfrentou críticas relacionadas à fila da regulação, sistema responsável pela distribuição de pacientes em situação grave para leitos disponíveis na rede.
Outro eixo da gestão foi a expansão da educação em tempo integral.
Apoio de Lula e do grupo petista
Na campanha pela reeleição, Jerônimo teve como principais aliados os ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner (PT), que disputaram as duas vagas da Bahia no Senado. A chapa também repetiu a composição de 2022, com Geraldo Júnior (MDB) como candidato a vice-governador.
Assim como na eleição anterior, o PT nacionalizou a disputa na tentativa de vincular a candidatura de Jerônimo à de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência.
O grupo petista também buscou conter a migração de eleitores que apoiavam Lula para presidente, mas declaravam voto em ACM Neto para governador. A combinação ficou conhecida como “voto LuNeto” e ganhou espaço nas redes sociais, com jingles e esquetes de humor.
Na terça-feira (29), durante agenda em Salvador, Lula intensificou os ataques a ACM Neto. O presidente chamou o adversário de mentiroso e de “jockey de cabrito”, em referência à baixa estatura do candidato.
ACM Neto evitou confronto direto com Lula
Durante a campanha, ACM Neto evitou concentrar críticas em Lula e direcionou os ataques principalmente a Jerônimo.
Na disputa presidencial, o ex-prefeito declarou apoio ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), mas não pediu votos publicamente para o aliado.
O PL integrou a chapa de Neto e indicou João Roma, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro (PL), para disputar uma das vagas ao Senado.
Com a reeleição, Jerônimo amplia a permanência do PT no comando do governo baiano, iniciada em 2007, com a eleição de Jaques Wagner. O resultado também mantém a aliança política do governador com Lula e com os principais nomes do grupo petista no estado.

