Defesa de Moro pede que Celso de Mello torne pública gravação de reunião

    Imagens mostram declarações de Bolsonaro contra o então ministro devido à discordância com relação à PF e à condução da pandemia

    Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

    A defesa do ex-ministro Sergio Moro solicitou ao ministro Celso de Melo, do Supremo Tribunal Federal, que torne pública a gravação da reunião ministerial de 22 de abril. Ou, pelo menos, os trechos com as falas do presidente Jair Bolsonaro. O vídeo foi exibido na última terça-feira (11) para investigadores que apuram se houve ou não intervenção política do chefe do Executivo na Polícia Federal.

    Na petição apresentada, os advogados de Moro argumentam que, na ocasião, não foi tratado qualquer assunto que coloque em risco a segurança nacional. E, apesar de existirem declarações ofensivas por parte de alguns ministros que poderiam gerar algum tipo de constrangimento, é preciso dar “verdadeira lição cívica” em publicizar as imagens.

    “O vídeo é de interesse público, e a sociedade não pode ser privada de conhecer seu conteúdo. A divulgação do material, na íntegra, comprovará as afirmações do ex-ministro Sergio Moro a respeito do presidente da República”, reforçou o advogado Rodrigo Sánchez Rios, em nota à imprensa.

    De acordo com a defesa, o conteúdo do vídeo mostra declarações de Bolsonaro contra o ex-ministro por alguns motivos. Entre eles, a discordância de Moro quanto à interferência do presidente no comando geral da Polícia Federal e na superintendência no Rio de Janeiro. Também pesaram na reação de Bolsonaro o fato de Moro não ter apoiado a ida do presidente ao ato de 19 de abril, nem as manifestações contrárias ao distanciamento social, nem mesmo as declarações públicas de Bolsonaro que minimizaram a gravidade da pandemia do novo coronavírus.

    No pedido ao relator do inquérito no Supremo, a defesa cita trecho da decisão do ministro que autorizou a abertura do inquérito. No documento, Celso de Mello fala que a ampla difusão da informação, o exercício irrestrito da crítica e a possibilidade de formular denúncia contra o poder público são “expressões essenciais” da liberdade fundamental que não pode ser comprometida por atos criminosos de violência política ou de qualquer outra natureza. O ministro do Supremo menciona também o “valor inestimável e insuprimível da cidadania” que é o direito de receber informações dos meios de comunicação social.