Delator diz que pagou 2 milhões de euros em caixa-dois a Serra

    Segundo Pedro Novis, ex-presidente da Odebrecht, dinheiro teria sido doado para campanha ao governo de São Paulo

    Foto: José Cruz/Agência Brasil

    Em acordo de delação premiada na Operação Lava Jato, o ex-presidente do grupo Odebrecht Pedro Novis diz que pagou dois milhões de euros de caixa-dois ao senador José Serra (PSDB) em 2006 e 2007. O dinheiro teria sido usado na campanha ao governo de São Paulo, que o tucano disputou e ganhou. Segundo o delator, a soma foi depositada em contas na Suíça indicadas pelo empresário José Amaro Pinto Ramos.

    Pela cotação da época, o repasse representaria R$ 5,4 milhões. Apesar de não contabilizada oficialmente, a doação não teria sentido explícito de propina: de acordo com Novis, a empreiteira não pediu favores a Serra.

    À Folha de São Paulo, o advogado do empresário Pinto Ramos disse que seu cliente recebeu 1,2 milhão de euro da empreiteira na Suíça no período, “mas que o valor se refere ao pagamento de uma consultoria que prestou à empresa”.

    Na prestação de contas à Justiça eleitoral, Serra declarou ter gasto R$ 25,9 milhões na eleição de 2006, sem mencionar as doações da Odebrecht.

    Serra se defende em nota e nega as acusações. Afirma não ter cometido qualquer irregularidade e que as campanhas foram conduzidas pelo partido, na forma da lei. “Enquanto não forem abertos os sigilos dos depoimentos dos delatores investigados, é impossível apresentar qualquer comentário ou defesa, pois não se pode confirmar sequer o conteúdo das informações”, acrescenta.

    Também em nota, a Odebrecht disse que “não se manifesta sobre o teor de eventuais depoimentos de pessoas físicas, mas reafirma seu compromisso de colaborar com a Justiça.”