Delator diz que varredura antigrampo foi feita para proteger Lobão

    O trabalho dos policiais legislativos nas casas e escritórios da família abriu o ciclo de varredoras em residências de outros políticos

    STF autoriza quebra de sigilo fiscal e bancário de Edison Lobão (Foto: Agencia Brasil)
    Edison Lobão (Foto: Agencia Brasil)

    O servidor Paulo Igor Bosco Silva, Autor das denúncias que levaram a Polícia Federal a prender quatro policiais do Senado na última sexta (21),diz que a primeira varredura fora das dependências da Casa teve motivação declarada de proteger o então ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), das investigações da Lava Jato. Silva disse em entrevista à Folha de S. Paulo desta terça-feira (25) que o chefe da Polícia do Senado, Pedro Carvalho, que está preso temporariamente, explicou os seus subordinados para explicar as razões da missão no Maranhão.

    Na reunião, em junho de 2014, ele disse que a prisão do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, aproximava a Lava Jato do ministro. O pedido formal para a varredura foi feito pelo gabinete do suplente de Lobão na época, seu filho, Lobão Filho. O trabalho dos policiais legislativos nas casas e escritórios da família aconteceu cinco dias depois da segunda prisão de Costa.

    O advogado que defende Lobão e seu filho, Antonio Carlos de Almeida Castro, disse que esporadicamente havia esse tipo de pedido e que é um direito dos senadores. “É um dever e uma obrigação da polícia legislativa cumprir essas missões. Não há nada de ilegal e nada tem a ver com a Lava Jato. Quem faz esse tipo de acusação é porque descumpriu o dever. O equipamento só retirava grampo ilegal, portanto, seria impossível obstruir investigação”.

    Silva ainda diz que as conversas sobre a Lava Jato eram tratadas de maneira aberta, mas que nunca era conversado se as operações de vasculhamento rendiam material objetivo.