Deltan cita acordo com Odebrecht mas usa trecho de outro documento, diz colunista

    Ex-coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol usou, na verdade, acordo de leniência de CGU e AGU com empresas Technip e Flexibrás

    Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    De acordo com o colunista do Metrópoles Guilherme Amado, o ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato Deltan Dallagnol publicou nesta quinta-feira (7) um trecho de um acordo de leniência do governo federal como se fosse o firmado com a Odebrecht. Dallagnol usou, na verdade, um trecho do acordo assinado pelas empresas Technip Brasil e Flexibrás em 2019.

    A publicação de Dallagnol no Twitter criticou uma decisão do ministro do STF Dias Toffoli, que nessa quarta-feira (6) anulou provas do acordo de leniência da Odebrecht com o Ministério Público Federal. O acordo em questão com a empreiteira foi concluído em 2016, e homologado em 2017 pelo então juiz Sergio Moro, hoje senador.

    Deltan cita acordo com Odebrecht mas usa trecho de outro documento

    “Acordo da CGU-AGU com Odebrecht teve cláusula idêntica à da Lava Jato. […] Toffoli anulará também? Mandará Polícia e AGU investigar? Ou era só pra se vingar da Lava Jato mesmo?”, escreveu o ex-procurador e ex-deputado na manhã desta quinta-feira (7).

    Ainda segundo o Metrópoles, a imagem compartilhada por Dallagnol é parte de um acordo de leniência firmado em 2019 entre a Controladoria-Geral da União (CGU), a Advocacia-Geral da União (AGU) e as empresas Technip Brasil e Flexibrás. As companhias foram investigadas na Lava Jato e se comprometeram a devolver R$ 819 milhões à Petrobras. O documento de 37 páginas foi assinado no governo Bolsonaro, em 25 de junho de 2019, pelo CGU Wagner Rosário e pelo AGU André Mendonça.

    Amado aponta ainda que o acordo de leniência fechado entre Odebrecht, AGU e CGU, por seu turno, previa um ressarcimento de R$ 2,7 bilhões. O material tem 23 páginas e foi finalizado no governo Temer, em 9 de julho de 2018, com assinaturas do CGU Wagner Rosário e da AGU Grace Mendonça. Esse acordo também é público e está disponível neste outro link da CGU. A decisão de Toffoli desta quarta-feira (6) diz respeito apenas ao acordo firmado entre a Odebrecht e o MPF e, até agora, não interfere neste acordo de leniência que Dallagnol buscou citar.