Deputado tenta barrar venda de ações da Bahiagás

    Proposta apresentada na Assembleia Legislativa da Bahia busca barrar a alienação de parte das ações da companhia e aponta dúvidas sobre os limites da operação

    Foto: Reprodução/Site Bahiagás

     

    O deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) apresentou um Projeto de Decreto Legislativo para suspender os efeitos do decreto do Governo da Bahia que autoriza a alienação de ações da Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás). 

    A proposta, publicada no Diário Oficial da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), foi apresentada na última quarta-feira (7) e busca impedir o avanço da venda de parte da participação acionária do Estado na empresa.

    Na justificativa do projeto, Hilton Coelho aponta questionamentos sobre os limites da operação e a extensão dos poderes utilizados pelo Executivo para regulamentar a venda.

    Segundo o parlamentar, a Constituição da Bahia atribui à ALBA a competência para sustar atos normativos do Executivo que ultrapassem o poder regulamentar, além de fiscalizar e controlar as ações da administração estadual, inclusive das entidades da administração indireta.

    Na avaliação de Hilton Coelho, o decreto vai além da autorização prevista na Lei Estadual nº 7.029, de 1997, que permitiu ao Executivo promover a desestatização da Bahiagás. O parlamentar argumenta que a legislação determinou a regulamentação do processo, incluindo a avaliação econômico-financeira da companhia para estabelecer o preço mínimo de alienação.

    O deputado questiona, porém, a inclusão de regras sobre seleção e habilitação de compradores, oferta das ações, condições de aquisição e obrigações dos futuros acionistas. Para ele, esses pontos levantam dúvidas sobre os limites do poder regulamentar do governo estadual.

    Outro argumento apresentado é a falta de definição objetiva sobre a quantidade ou o percentual de ações que poderão ser vendidas. Embora o decreto afirme que a operação não implicará transferência do controle acionário da empresa, o parlamentar considera que o texto não estabelece mecanismos suficientemente precisos para garantir essa condição.