Deputados derrubam diretriz e desmontam proteção a crianças vítimas de estupro

    A deputada Érika Hilton criticou a aprovação do projeto, que não poderá ser vetado por Lula se aprovado no Senado

    Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

    Com 317 votos a favor e 111 contra, a Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (5), o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 3/2025, que revoga a resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) sobre atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual em casos de aborto legal.

    A proposta é de autoria da deputada Chris Tonietto (PL-RJ) e outros parlamentares, com relatoria do deputado Luiz Gastão (PSD-CE). O texto agora segue para o Senado e se for aprovado, por ser um PDL, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não poderá vetá-lo.

    A resolução do Conanda, editada em dezembro de 2023, definia diretrizes para:

    – o atendimento de vítimas, como encaminhamento direto aos serviços de saúde, escuta especializada;
    – garantia da vontade da vítima nos casos de divergência familiar;
    – comunicação obrigatória ao Conselho Tutelar e autoridades – sem condicionar a realização do procedimento legal.

    Com a revogação, especialistas e organizações do setor afirmam que o acesso ao aborto legal pode ser dificultado, especialmente para meninas vítimas de estupro.

    Os autores do PDL argumentam que o Conanda teria extrapolado suas competências, ao dispensar, por exemplo, o boletim de ocorrência.

    Oposição critica projeto: “Criança não é mãe”

    A deputada federal Érika Hilton (PSOL) utilizou as redes sociais para criticar a aprovação do projeto. Em postagem no Instagram na noite desta quarta-feira (6), a psolista chamou o projeto de “PLD da Pedofilia” e afirmou que “criança não é mãe”.

    “Sim, é isso mesmo: querem que meninas, vítimas de estupro, não saibam dos próprios direitos, e querem impedir o Governo Lula de lutar contra a pedofilia”, diz um trecho da publicação.

    Confira a postagem