Deputados que votaram pró-impeachment podem ser expulsos do PDT

    Informação foi confirmada pelo ministro das Comunicações e vice-presidente nacional do partido

    Gustavo Lima - Câmara dos Deputados

    Após a aprovação da abertura do processo de impeachment por parte da câmara no último domingo (17), o Partido Democrático Trabalhista (PDT) anunciou nesta segunda(18) a abertura de um processo de expulsão contra seis parlamentares que votaram a favor do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

    A informação foi confirmada por André Figueiredo, ministro das Comunicações e vice-presidente nacional do partido. Segundo o ministro, a orientação do PDT era de que todos os deputados do partido votassem contra o processo. “Todos estão decepcionados e com muita raiva desses parlamentares”, disse Figueiredo.

    Dos 19 votos do PDT na Câmara, 12 foram contrários, houve uma abstenção e seis votaram a favor. Os parlamentares que sofrerão sanção do partido são: Subtenente Gonzaga (MG), Mário Heringer (MG), Sérgio Vidigal (ES), Flávia Morais (GO), Hissa Abrahão (AM) e Giovani Cherini (RS).

    Ainda de acordo com Figueiredo, os parlamentares serão submetidos a uma ação, a ser julgada na comissão de ética do partido, e que será passível de defesa e absolvição, apesar de a chance ser descartada pelo ministro. “Nosso posicionamento sempre foi contra o impeachment. Esses parlamentares já foram notificados e já podem se considerar fora do partido”, afirmou.

    Um dos votantes, o deputado federal Hissa Abrahão (AM), se mostrou surpreso com a decisão da legenda. “Eu fiquei surpreso. Eu entendo que uma orientação partidária não pode ser uma imposição partidária. Vou fazer a minha defesa. Tenho 31 dias de PDT. Não acho justo que eu seja punido de uma forma tão sumária, então eu acredito que isso possa ser conversado e repensado pela Executiva Nacional do partido”, afirmou.

    O PDT, foi um dos primeiros partidos a decidir o posicionamento sobre o impeachment e, mesmo que os seis votos não tenham sido preponderantes para a derrota da base do governo na Câmara, a “traição” deixou a diretoria pedetista bastante abalada.