Deu o pior: Temer partilha o seu infeliz Natal com os brasileiros

    O presidente não tem a expectativa formal do impeachment, mas está rodeado de fantasmas advindos da Lava Jato com as delações da Odebrecht apoiados por medidas extremamente impopulares

    Frase da vez

    “A atividade sem juízo é mais ruinosa que a preguiça

    Marques de Maricá, escritor, filósofo e político brasileiro (1773-1848)

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.
    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

     

    Dilma fechou 2015 respirando certo alívio depois de um ano turbulento. Postergaram a decisão do impeachment para o pós-carnaval, mas a sequência mostrou que a agonia presidencial apenas teve uma pausa para as boas festas. Dilma, que só tentava se salvar, perdeu.

    2016 fecha um pouco diferente, para a agonia presidencial, ressalte-se. Temer não tem a expectativa formal do impeachment, mas está rodeado de fantasmas advindos da Lava Jato com as delações da Odebrecht apoiados por medidas extremamente impopulares. Acabam aí as diferenças, sequer pausa para as boas festas ele tem. O salvador da pátria está tentando se salvar.

    Temer vai resistir? Ele tem tido até apoios insuspeitos, com o de Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, que prega uma solução pactuada para empurrar o mandato presidencial até 2018.

    Mas as delações da Odebrecht, pelo que se sabe até agora, acusa diretamente Temer de ter levado R$ 10 milhões de caixa 2. E quando embola a chapa ele e Dilma, a quantia sobe para R$ 30 milhões, quase 10% do que a campanha diz ter arrecadado.

    A mistura é explosiva. Um país em crise com um comandante acuado. O resultado está nas lojas. Em Salvador, até ontem, um domingo, lojas completamente vazias e só a esperança de que até o fim da semana algo melhor, um pouco.

    Ainda temos muito a penar.

    A chiada da Fieb

    Com uma queda de quase 8% do PIB, em 2015-16, e com 12 milhões de desempregados, a crise na economia brasileira já seria uma das mais graves das últimas décadas mesmo sem as convulsões do mundo político que a tornam pior.

    Pacotes recheados de boas intenções não são suficientes para superar as muitas dificuldades. A avaliação aí é do Conselho de Representantes da Fieb, que congrega os 42 sindicatos dos vários segmentos da indústria baiana, incomodado com o cenário de crise, sem perspectivas de soluções.

    É nesse tom que a Fieb divulga nos jornais amanhã uma Nota Pública em defesa da retomada do crescimento.

    O Conselho da Fieb acha também que, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário devem atuar com independência, sem que interesses corporativos.

    A chiada é pertinente. O problema é que 2017 vai começar com o odor de 2016.

    A entidade exige pressa para que se viabilizem as reformas administrativas para enxugar o inchado setor público; Previdenciária, com o fim dos privilégios de certas categorias profissionais; e Política, para acabar com as siglas de aluguel e com o financiamento empresarial de campanhas.