Frase da vez
“Nas revoluções políticas os povos ordinariamente mudam de senhores sem mudarem de condição”
Mariano José da Fonseca, o marquês de Maricá, escritor e político carioca (1773 – 1848)

José Eduardo Cardozo, o advogado geral da União que atuou na defesa de Dilma no processo de impeachment, pelo que demonstrou, parece ser um bom advogado, mas no fórum errado.
Ainda ontem, após o resultado da votação do impeachment, ele deu coletiva e voltou a bater na tecla: “O relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) não se sustenta tecnicamente. As pedaladas fiscais alegadas não caracterizam crime de responsabilidade. A presidente Dilma não cometeu crimes”.
Tivesse ele em um tribunal de justiça, talvez até tivesse sucesso, mas estava em um tribunal político que iria julgar um caso político.
E por que o governo insiste na tese? Simples. Outra opção, só um milagre. Mas parece que os santos também estavam contra.
Pedalada fiscal? Embora façam parte das miudezas da crise, esqueça. Esse foi o motivo possível para atacar o conjunto da obra, foi o fósforo para incendiar a palha seca.
Aqui e alhures, não há governo que resista à economia em crise. Até porque, dita o senso comum, que quem criou o problema não está apto a resolvê-lo.

Lado bom
A votação do impeachment fez um bem ao Brasil, o de expor à nação a qualidade dos seus representantes. Tirantes os ideológicos, cada um jogando para a plateia como bons exemplos de pais de família e patriotas impedernidos.
Tiririca, o palhaço de ofício, ficou humilhado.
Sem surpresa
No mais, nada de novo. Dilma já vinha mal no Congresso desde sempre. Tinha dificuldades de aprovar até matérias bobas. Ontem ninguém julgou pedalada fiscal. Estava em jogo o conjunto da obra.
E a votação apenas mostrou a vastidão da desarticulação que, no governo Dilma, foi crônica.
Precedente nos EUA
O impeachment, ou impedimento, existe há mais de 400 anos. Em 1868, o presidente dos EUA, Andrew Johnson, que era o vice de Abraham Lincoln (morreu assassinado), sofreu um processo.
Perdeu na Câmara, mas ganhou no Senado. Por um voto.

Nixon, Collor e Perez
Em 1974, Richard Nixon, também nos EUA, perdeu o mandato. Na América Latina, o primeiro foi Fernando Collor, do Brasil, em 1992. No ano seguinte, foi a vez do venezuelano Carlos Andrés Perez.
No continente americano, os quatro casos foram os únicos. Dilma é forte candidata a tornar-se o quinto.
Para inglês ver
Jornalistas norte-americanos, ontem no Farol da Barra, se diziam intrigados com o fato de Eduardo Cunha, melado até o pescoço na lama da corrupção, estar presidindo a sessão do impeachment de Dilma.
Foram aconselhados a perguntar o por quê ao STF, que engavetou um pedido de afastamento dele feito pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot.
Aliás, o STF não julga político algum.
Cara de pau
Aliás, na votação, Cunha ouviu algumas vezes deputados, chamando-o de corrupto, ladrão na tampa. Outro, de ‘gangster que fede a enxofre’.
Nem se buliu. E nem enrubesceu.
Dizem os governistas em Brasília que agora é a vez dele. Até porque, suspeita-se que Michel Temer tudo fará para preservá-lo.
Bateu fofo
A surpresa, na votação do impeachment, foram os votos de Cacá Leão, filho do vice-governador João Leão, e de Mário Negromonte Jr. O partido deles, o PP, que mais tem deputados acusados na Lava Jato (e Mário Jr é um), decidiu fechar a favor do impeachment, mas os quatro baianos ficaram com Rui Costa.
Roberto Brito e Ronaldo Carletto votaram não. Cacá e Mário Jr. abstiveram-se.

Defesa prévia
No PDT, todo mundo estava de olho do deputado Félix Mendonça Júnior, presidente na Bahia. O partido fechou contra o impeachment e ele estava indeciso.
Se desobedecesse, seria expulso e deletado do comando. Não arriscou. Votou não.
Bico calado
Na reunião da cúpula nacional do partido, ficou decidido que, além da expulsão, os rebeldes, além de perder o comando, teriam todos os seus atos anulados, praticados como presidente, inclusive a nomeação de comissões provisórias, mesmo que o partido ficasse sem candidato a prefeito.
Na tal reunião, Félix não deu um piu.
Epigrama do muro
As manifestações de ontem em Brasília, pró e contra Dilma, produziram na capital federal, desde que foi inaugurada em 20 de abril de 1960 (quarta completa 56 anos), um muro de ferro para separar os dois lados. Geraldino Lima disse que Juscelino Kubistschek, Oscar Niemayer e Lúcio Costa, o arquiteto e engenheiros, choraram no túmulo. E epigramou:
Perdão Juscelino Oscar
E Lúcio Costa perdão
Brasília não é o lugar
De muros entre os irmãos
Buscando a saída
Um grupo de seis senadores, entre eles os baianos Walter Pinheiro (sem partido) e Lídice da Matta (PSB), convocaram coletiva para hoje (17h30) no plenário do Senado.
Vão dizer o que julgam ser o melhor para tirar o Brasil do buraco.
A convocação foi feita antes da votação. Portanto, vale para Dilma ou Temer.

Imposto da mamãe
Levantamento da BDO, a quinta maior rede de contabilidade do mundo, mostra que dar presentes às mães é carga pesada (literalmente). Perfumes e relógios lideram a carga de impostos embutidos no valor final, com 79,5% e 47,25%.
Smartphones (42,25%), joias de prata (39,25%) e bolsas de couro (37,25%) vão logo a seguir como os mais taxados. As flores, símbolo de afeto, mas de pouco valor, são as que menos pesam: 9,25%.
Pedágio urbano
Sobre a nota Pedágio Urbano, publicada semana passada, dizendo que quem mora nos limites de Salvador com Lauro de Freitas é obrigado a pagar pedágio, a Concessionária Bahia Norte diz que as rodovias do sistema BA-093 são as principais artérias de circulação de produtos e serviços da Bahia ao interligarem o CAB, o Polo, o Porto de Aratu e Aeroporto de Salvador.
E que lá já investiu R$ 770 milhões. E tais investimentos trazem mais fluidez e segurança ao tráfego. Ou seja, está dizendo que a comunidade paga, mas tem retorno. Sobre isenção para morador, calou.

